segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ROGUE ONE: A STAR WARS STORY (2016)


É POSSÍVEL QUE ESTEJA CARREGADINHO DE SPOILERS

Não contem com isenção e imparcialidade.

A minha relação com o universo Star Wars é estreita. Sou um fanático moderado. E o que é um "fanático moderado"? Não sou daqueles que colecciona tudo e mais alguma coisa dos filmes. Se o fosse, hoje estaria na falência, tal é a quantidade de merchandise existente. Somos bombardeados com material para todos os gostos. Tenho um ou outro coleccionável, mas nada de especial. Não sou de mergulhar nas séries de televisão. Não gostei muito do Clone Wars, mas a Rebels é muito boa. O meu interesse é mesmo a saga de filmes. E mesmo que as prequelas sejam o que são, eu gosto delas. O Episódio 3 é mesmo um grande filme. Carregadinhos de defeitos, é certo, nomeadamente no argumento. 

Ora, depois da Lucasfilm ter sido adquirida pela Disney, anunciaram logo que os filmes da saga não seriam apenas as trilogias (Ep. 1 ao 9). Iriam fazer mais filmes baseados no universo para saírem todos os anos. Há bonecos para vender e parques temáticos para construir. E se há coisa que a Disney gosta, é do dinheiro dos pais dos putos. Não interessa se é bom ou mau, mas é a estratégia deles. E digamos que os gajos andam a ganhar o monopólio dos grandes franchises. Vejam as prateleiras de brinquedos dos supermercados: 90% estão ocupados por bonecos Disney (Mickeys e companhia), heróis da Marvel e Star Wars. Eles ADORAM dinheiro. 
Por mim, podem ficar descansados que vão ter sempre os euros que gasto nos bilhetes de cinema. Se não conseguiram fazer-me fugir com as prequelas (volto a dizer que gosto), também não o vão conseguir no futuro. E parece que teremos um filme ao ritmo anual. 

Bem, para fugir aos Episódios, decidiram fazer um filme que se liga, e muito ao filme original de 1977. E para uns, este filme até poderá ser desnecessário, mas para mim não. Acho que foi bem pensado fazer um filme isolado sobre a história dos rebeldes que conseguiram arranjar os planos da Death Star do Ep. IV. Claro que o filme foi pensado para arrancar mais uns tostões à malta, mas com isso posso eu bem - se o filme for bom.

E o que é que aqui o escriba acha do filme? 
- É bom? É sim senhor.
- É perfeito? Não. (Também ninguém pedia que fosse)
- Tem problemas? Alguns.


Vamos lá ver alguns aspectos positivos e negativos do filme. 

(É possível que daqui para a frente, o texto se torne confuso para quem não viu o filme. Aliás, até para quem viu pode ser confuso.)

Começando pelo negativo: o maior problema do filme reside no ritmo. A primeira parte do filme torna-se demasiado lenta. E com cenas que se calhar não interessam muito. Eu não teria problemas com isso se esse tempo fosse ocupado com estarmos a conhecer melhor os personagens principais. Tirando a Jyn Erso (Felicity Jones), ficamos sem conhecer realmente ninguém, as suas motivações. O que acaba por não criarmos um laço tão afectivo com eles. 
Para quem não conhece a fundo o universo de Star Wars, o filme acaba por ser um pouco confuso. E não é fácil fazer entender onde é que este filme se enquadra com todos os filmes anteriores. E a escolha da Felicity Jones (que eu adoro e acho que vai muito bem no filme) pode gerar algumas confusões. A certa altura, a minha mulher pergunta de aquela mulher era a mesma do filme do ano passado, confundindo com a Daisy Ridley. O que me leva a concluir que se calhar este filme é claramente o chamado "fan-service".
Depois, mesmo para mim, no início do filme há ali partes mais confusas, nomeadamente com o saltar de planeta em planeta. Em pouco minutos, devem ter estado em meia-dúzia deles. Houve um crítico que comparou estas cenas com uma máquina de flippers em que a bola não pára quieta. 
Outra coisa que não gostei foi a voz do Saw Gerrera (Forest Whitaker). Chegou a certo ponto que me irritava e de ficar contente quando morreu. O Gerrera tinha também lá no seu sítio um monstro que mais parecia uma lula gigante que lia pensamentos. Toda essa cena me pareceu desenquadrada e era facilmente cortada. 

Mas o filme é bom e por isso tem muitos aspectos positivos, a começar pelo elenco. Mesmo que não haja um aprofundamento dos personagens, todos eles vão bem. Além da Felicity Jones, que para mim está sempre bem em todos os filmes, realço o Donnie Yen e o Ben Mendelsohn.
O Donnie Yen é um bad-ass do caraças, e mesmo cego é vê-lo a desancar uma série de stormtroopers com o seu bastão. E o Ben Mendelsohn como o vilão principal do filme. 
Depois, e como se trata de um filme de Star Wars, tem de haver um robot lá pelo meio, sempre é mais um brinquedo para vender. E aqui criaram o K-2SO, que é uma espécie de C3PO mas menos irritante (sim, o C3PO era irritante nas horas) e mais bad-ass. De referir que a cena em que o R2D2 e o C3PO aparecem foi lá enfiada para podermos dizer que são os únicos personagens que aparecem em TODOS os filmes de Star Wars. Era escusado mas também não ofende. Acho que faria mais sentido se aparecessem na cena final na nave dos rebeldes.

Neste filme tentaram, e acho que bem, incluir personagens do primeiro filme da saga. Era obrigatório o Grand Moff Tarkin aparecer. Acontece que o actor Peter Cushing já morreu há mais de 20 anos. Os magos do CGI lá conseguiram dar vida ao personagem, e creio que para olhos menos atentos e menos entendidos, passa muito bem como actor a sério. E ele aparece muitas vezes no filme, o que era perigoso fazer algo do género. Para quem sabe que é criado digitalmente, pode distrair um pouco no início, mas depois embarcamos e nem pensamos que aquilo é uma imagem de computador e não um actor. Mesmo no final, fizeram o mesmo com a Princesa Leia. Rejuvenesceram a Carrie Fisher.
Depois, foi engraçado ver as referências aos outros filmes, sem nunca me parecer que tenham sido enfiadas a pontapé. Há referência a Obi-Wan Kenobi, a nave da série Rebels anda lá pelo meio, muitos outros personagens. Até o esquadrão do primeiro filme lá anda no final. O "Red Five" ainda era vivo, lugar que depois foi ocupado pelo Luke Skywalker. Estes pequenos easter-eggs acabam por se enquadrar bem no filme e ajudar a conectar com os acontecimentos do Ep. IV.
A cena da batalha na praia está bem construída, até porque se trata de um filme de guerra, e isso aqui foi bem retratado.


Para acabar, tinha de falar sobre o Darth Vader. Já se sabia que ele iria aparecer no filme. E muitos queriam que ele aparecesse mais tempo. No entanto só aparece em duas cenas. E que cenas. Na primeira cena discute com o vilão do filme sobre a "gerência" da Death Star. É giro ver o ar cheio de medo do Krennic (Ben Mendelsohn) e o Vader a sufocá-lo e a largar a frase "Don't choke on your aspirations". Era o mesmo que dizer: "estou a cagar-me para o que tu queres. Faz isto e cala-te."
Finalmente na cena final em que ele aborda a nave rebelde à procura dos planos da Death Star, e com o lightsaber mata todos os soldados que lhe aparecem à frente. Só esta cena vale o bilhete do filme. Até dá arrepios.

Acaba por ser o filme mais triste da saga. Nós já sabíamos (mais ou menos) o desfecho, mas as cenas em que os personagens principais vão morrendo TODAS, acaba por nos deixar melancólicos. 

Não, não é o melhor filme da saga. Mas acaba por ser um filme necessário. E acho que quando voltar a ver vou gostar mais. Nesta primeira visualização, achei desequilibrado no ritmo. À segunda poderei não ter essa opinião.

3 comentários:

  1. Concordo com a crítica. A cena final do Darth Vader vale, efectivamente, o preço do bilhete. Para mim este é um dos melhores filmes da saga, sem ter "princesas Disney" que, sem saberem usar um lightsaber, conseguem derrotar os vilões altamente treinados nas artes da Força (como aconteceu com a personagem do Kylo Ren em "O Despertar da Força"). É um filme mais adulto.

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    1. Defendendo a "princesa Disney", ela tem a Força do lado dela... mas percebo o ponto. Quando vi o filme pensei o mesmo! E o Kylo Ren ainda não tem o treino terminado. Mas sim, este é um filme muito mais adulto, o que até pode afastar mais público.
      Mas o Darth Vader de lightsaber naqueles minutos é tão bom!!!!!!!!!!!!1

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