sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

TRAIN TO BUSAN (BU-SAN-HAENG) 2016


Antes de mais, um agradecimento à comunidade da internet. Uma pessoa acompanha outras que nem conhece e aceita sugestões. Ou seja, graças ao youtube e podcasts emitidos aí emitidos, um gajo toma conhecimento de coisas, que de outra forma nunca ouviria falar. Há uns meses tinha ouvido falar de um filme coreano de zombies. Fiquei de pé atrás, pois se há género do qual estou saturado é o de zombies. Na altura, deixei passar. Acontece que esse hype foi aumentando. Toda a gente andava a falar deste Train to Busan, e então lá me deixei convencer a pegar nisto. E ainda bem que sou uma pessoa influenciável. E este ano peguei em dois filmes de mortos-vivos. Um deles foi das piores coisas que vi este ano (Cell, de Tod Williams). Já este Train to Busan, que nem título português (de Portugal) tem, está no pólo oposto. É claramente o melhor filme de terror do ano, e um dos melhores filmes. 

A primeira cena dá logo um sinal de que as coisas não vão mesmo correr bem. Um tipo atropela "mortalmente" um animal. Quando o animal acorda, este está alterado e com olhos de quem fumou umas coisas que não devia.
Não vale a pena entrar em grandes pormenores da história porque esta é simples. Um pai viaja com a filha de comboio. Nesse comboio entra uma pessoa infectada com um vírus esquisito e começa a atacar as pessoas, que se tornam automaticamente em zombies. E pronto, é isto. Não podem fazer muitas paragens pois as cidades também estão todas infectadas. Por isso, Busan é o destino, pois pensa-se que está livre da "doença". 
E se o filme começa como um drama familiar, pois o personagem principal é um pai que está afastado da filha, rapidamente se torna num filme de acção. Os zombies são do melhor que já vi no cinema: rápidos, contorcem-se todos, o que dá imagens muito boas. Também são burros porque não sabem abrir portas e no escuro são cegos. 
Epa, e as cenas dos ataques, seja no comboio, seja na estação em que param pela primeira vez são do melhor que já vi. Os americanos poderiam aprender umas coisitas. Um filme que custou menos de 10 milhões de dólares (valor que deve dar para uma cena num blockbuster americano) e tem cenas eficazes, realistas (o realismo possível num filme de zombies). 
E depois os personagens são cativantes. E aqui destaco o gajo mais bad-ass mas com aspecto gordinho. O gajo, à pancada, deu cabo de uns quantos zombies. Teve infelizmente um final inglório mas que resultou numa cena de sacrifício muito boa. 


Parece que Hollywood se prepara para fazer um remake. Em vez de exibirem este em milhares de salas, vão fazer um pedaço de bosta à americana. E sim, estou a julgar o filme que ainda não fizeram. Pois eu dou um dos meus três testículos se o remake for minimamente bom. 
Sinceramente não percebo essa tendência (além do negócio). 
Tirando um ou outro exemplo, quantos remakes de filmes asiáticos correram bem? E não me refiro a bilheteira mas qualidade. Uns poderão falar, por exemplo, no The Departed. Duvido que vão buscar o Scorsese para realizar este.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

BLAIR WITCH (2016)


Eu ainda sou do tempo em que havia gente que acreditava que The Blair Witch Project era um documentário e que aquelas pessoas estavam mesmo mortas, ou seja, que aquilo era tudo real. Totós... e não, eu não fazia parte desse grupo. Lembro-me perfeitamente da noite em que fui ver esse filme ao cinema no Casino da Figueira. Lembro-me muito bem de ter saído do filme com os pêlos todos do corpo arrepiados. Lembro-me de ir a pé para casa mais os amigos (ainda eram uns 30 minutos a pé) e de quase borrarmos as cuecas com algum barulho. Lembro-me de quase não ter conseguido dormir nessa noite. Sim, o filme teve esse efeito em mim. Para muitos (se calhar a maioria) o filme não teve. 
Entretanto, uns anos mais tarde veio uma sequela, que basicamente era cocó. 
Este ano, já muitos pensavam que essa "saga" (não sei se dois filmes já constituem uma "saga") estava morta e enterrada, quando do nada, um filme que se chamava apenas "The Woods" passou a intitular-se Blair Witch. E pumba, ficou tudo doido. E mais, faltavam apenas umas semanitas para a estreia. Não é que tenha sido um sucesso imenso de bilheteira: "apenas" lucrou nove vezes o budget do filme. Aqui em terras lusas, o filme não esteve em muitas salas. Esperei por ele nas salas próximas de mim, e nada. Nem uma semana esteve numa sala próxima. Cabrões... Há filmes que ficam semanas a fio com salas quase vazias e depois não exibem outros. Não percebo as escolhas editoriais nas companhias.
Mas será que valeria ver isto numa sala de cinema? VALE SEMPRE A PENA ver um filme numa sala de cinema, a menos que o filme seja uma merda pegada. 


SPOILERS

Se querem saber a história desta sequela, é fácil contar: basta ver o primeiro, que a história é IGUAL.
No entanto o filme tem algumas coisas positivas. Já lá vamos.
Aqui temos um gajo, que curiosamente é irmão da Heather (personagem que desapareceu na floresta no primeiro filme). Esse gajo vê um vídeo na internet sobre essa floresta e jura que viu um relance da irmã. Faz as malas, pega nuns amigos e lá vão eles investigar essas imagens e a floresta. O resto é igual ao primeiro. Perdem-se na floresta, barulhos esquisitos, amigos que desaparecem, objectos estranhos à beira das tendas, clímax na casa antiga, pessoas viradas para a parede e terminar com uma pancada final e câmara no chão. 
Ou seja, uma fotocópia do filme original, com a adição de alguns novos twists.

Como tinha dito, o filme tem algumas coisas positivas. Apesar de manterem o estilo found-footage, aqui as imagens não são tão tremidas como no original. As tecnologias são outras. Os gajos têm um drone que dá uma perspectiva maior da floresta. Neste filme, a floresta parece muito mais densa, o que dá uma sensação de claustrofobia. Como também têm câmaras pequeninas que vão agarradas à cabeça, é mais justificável o facto de estarem sempre a filmar. 
Outra coisa muito positiva é o som. Então se tiverem um bom sistema de som, é o máximo ouvir todos os pequenos barulhos, galhos a partir, gritos, etc. 
Outra coisa que foi aumentada neste filme em relação ao original foi o problema do "tempo", e não estou a falar do clima. Parece que na floresta alguém controla o tempo. A certa altura, um casal que estava separado do grupo principal diz que se passaram 5 dias, quando para o grupo apenas se tinha passado uma tarde. Ou seja, a Bruxa, ou seja lá quem for a entidade, tem controlo desse tempo. Até porque noutra altura, é noite quando deveria ser dia. A prova final desse aspecto é o facto de o vídeo inicial do filme, onde o gajo jura que conseguia ver a irmã é exactamente igual a uma parte do clímax final na casa, como se o vídeo fosse do futuro. (Tenho de rever o filme para tentar perceber melhor toda esta parte). Ah, esse final está muito bem construído, e é uma espécie de recompensa por todo o resto do filme que acabou por ser banal. Não era mau, mas também não trazia nada de novo.

Negativamente o filme tem coisas desnecessárias, e estou a referir-me aos jump-scares onde não há razão para existirem. O filme já tem situações de medo e aflição para ainda ter esses sustos só porque sim. Depois há coisas que não são bem explicadas. Uma das raparigas do filme sofre um corte do pé que começa a infectar. A certa altura, uma espécie de "minhoca" sai da ferida. Nunca percebemos bem o que isso é e porque aconteceu. 
Finalmente, é sabido que o filme é igual ao original pelo que podiam arriscar no final. Mesmo na cena final chegamos a pensar que a gaja se pode safar da bruxa. Segundo consta, bastava não olhar directamente para ela. E tem a inteligência de usar a câmara para saber onde se deslocar, mesmo a caminhar de costas. Acontece que ela ouve uma voz conhecida (já se percebeu que é a "bruxa" que faz esses sons) e ela vira-se e pumba, cacetada nos cornos e fim de filme. Apenas acho que seria mais interessante ter desta vez uma pessoa a safar-se e conseguir sair dos bosques. 


Resumindo e concluindo, se não gostaram do filme original, é certo e sabido que também não vão gostar deste. Eu gostei, apesar de ficar o amargo de boca, pois podia arriscar mais. O final do filme na casa foi bem mais "complexo" e compensou o resto.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

HELL OR HIGH WATER (2016)


De vez em quando aparecem filmes que passam completamente despercebidos nos cinemas, mas começam a ganhar um certo buzz, normalmente porque são mesmo bons estes filmes mas como não tem super-heróis, as pessoas não os vão ver ao cinema. Foi o caso deste Hell or High Water que conseguiu uns "estrondosos" 30 milhões de dólares de box-office no mundo inteiro. Só em termos de comparação, o último Star Wars conseguiu 155 milhões só nos EUA no primeiro fim-de-semana. Mas pronto, é o mercado. Mas as pessoas começaram a falar deste filme e foi uma sorte sequer estrear em Portugal. Se nos EUA o filme estreou em Agosto, foi preciso uns quantos prémios e nomeações para Globos de Ouro para conseguir estrear por terras lusas 4 meses depois da estreia americana. Business.

 É POSSÍVEL QUE HAJA SPOILERS

O filme trata a história de dois irmãos que para poder pagar a hipoteca de uma quinta, assaltam pequenas agências bancárias, todas do mesmo banco. O mesmo que lhes está a hipotecar a quinta. As coisas começam por correr relativamente bem. Não sendo os ladrões mais profissionais do mundo, os gajos têm a coisa bem pensada. Pequenos bancos têm poucas pessoas e assim menos hipóteses de correr mal. E como só roubam notas pequenas, é possível lavar esse dinheiro num casino. Os irmãos são Toby e Tanner (interpretados por Chris Pine e Ben Foster, respectivamente), e eles são completamente diferentes um do outro. Por um lado, o Toby é o cérebro da operação, calmo e metódico. Não tem prazer no que faz e só o faz por motivos de força maior. Por outro lado, o Tanner é desestabilizador, só arranja chatices. É impulsivo e isso paga-se caro. Por causa desta onda de assaltos começam a ser investigados por Marcus Hamilton e Alberto Parker (Jeff Bridges e Gil Birmingham). Quando vão para o último golpe (é sempre no último), o Tanner muda os planos do assalto e pretende assaltar um banco maior do que o costume. Já se sabe que quando se alteram assim os planos, as coisas tendem a correr mal. E é isso mesmo que acontece. Quando chegam ao banco deparam-se com "casa cheia", há uma troca de tiros, o Tanner chega a matar uns quantos e não sabendo bem como, conseguem fugir, apesar de toda a cidade fazerem deles tiro ao alvo.
Quando os dois irmãos se separam em carros diferentes, chegamos a pensar que se podem realmente safar. Mais à frente percebemos que não é bem assim e que o Tanner não se vai safar. Leva com um balázio na testa. Já o Toby safa-se e na cena final tem uma espécie de duelo dos velhos westerns, mas em vez de pistolas usam as palavras. 

A história parece um banal filme de polícias e ladrões, e talvez até o seja. Mas não é banal por causa de uma coisa muito importante: a forma. Conhecem aquelas mulheres que dizem: não é o que tu dizes, mas a forma como o dizes"? Aqui é mais ou menos isso: não é a história do filme mas a forma como esse filme é contado.


Começo desde já pela parte mais técnica, que não percebo nada. E mesmo não percebendo muito, consigo ver ali uma fotografia muito cuidado, com um filtro meio amarelo, quase Texano. Depois a banda-sonora. Se gostam de música country, vão adorar ouvir apenas esta banda-sonora. Obrigado Nick Cave e Warren Ellis.
A forma como é filmado o filme: vejam-se as cenas dos assaltos, por exemplo. São hiper-realistas. A maneira como a dupla assalta cada banco faz-me sempre pensar: isto se fosse eu, faria exactamente assim. Depois, esse realismo passa para os diálogos. São conversetas que poderíamos muito bem ter no nosso dia-a-dia. 
Outra coisa que caracteriza este filme é o seu ritmo. Sim, é um filme lento. E numa altura em que vivemos onde tudo é rápido, é impressionante o risco tomado para este filme. Sim, o filme é lento, mas NUNCA aborrecido. Tudo o que vamos vendo interessa, todas as pequenas conversas, as transições ao som de uma música. Cada cena toma o seu tempo a ser construída e digerida. E isso é de valor. 
Finalmente, o maior trunfo do filme são os actores. E aqui temos duas duplas. O polícia e companheiro (Jeff Bridges e Gil Birmingham) que passam a vida a discutir, a insultar-se, com bocas racistas do Bridges, mas com um bela química. A morte do personagem do Gil Birmingham foi completamente inesperada e ver a expressão do Jeff Bridges é algo digno dos grandes actores. E depois a dupla principal entre o Chris Pine e o Ben Foster como irmãos mas mesmo assim tão antagónicos. Nunca os dois estiveram tão bem num filme. Por um lado o mais tresloucado Foster e por outro o Pine, com um underacting impecável e ao mesmo tempo tão emocional. Estes quatro actores nem parecia que estavam a representar, tal a naturalidade das interpretações e claro do guião.

Resumindo e concluindo: se ainda não viram, não sei porque estão a ler este comentário ao filme. E depois, ide lá depressa ver. Vai com selo de qualidade aqui do escriba.

Nota final para o título português, Custe o que Custar! Mesmo não sendo uma tradução literal do título inglês, acaba por ser uma tradução do significado da expressão inglesa que dá título ao filme. Não percebo o ponto de exclamação, mas isso passa bem.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

SCROOGED (1988)


Há um conjunto de filmes que associo a Natal e que, por tradição, TODOS os anos os vejo por esta altura de Dezembro. E é uma tradição que gosto de manter. Os filmes em causa fazem-me sentir bem. Divirto-me, rio-me sempre com o Home Alone, inspiro-me sempre com o It's a Wonderful Life. E adoro ver Bill Murray resmungar com tudo e todos neste Scrooged.

Neste filme, Bill Murray é Frank Cross, um presidente de uma estação televisiva e começa logo um trailer de um filme natalício que vai passar nessa estação. E nada diz mais "espírito natalício" que um filme onde o Pai Natal é atacado e este defende-se de metralhadora em punho com a ajuda de Lee Majors, o "The Night the Reindeer Died" (confesso que adorava que isto fosse um filme a sério). A partir daqui é Frank Cross a mostrar todo o seu mau-feitio que ninguém aguenta, e o que quer é ver sangue e morte na televisão. Podia muito bem ser o director da CMTV. Ele trata todos mal mas mesmo assim é eleito o "filantropo do ano". Como o gajo se anda a mostrar uma má pessoa, é visitado pelo fantasma do antigo chefe que o avisa que ele vai ser visitado por três espíritos que o vão ajudar a mudar o seu comportamento. Toda esta cena é hilariante com um trabalho impecável da caracterização. Entretanto aparece o seu grande amor do passado, a Karen Allen (a gaja do primeiro Indiana Jones). Reencontram-se e nota-se logo uma mudança do comportamento dele quando está na presença dela. Mas continua a mostrar-se revoltado com tudo. Consegue afastar a família, aqui representada pelo irmão (irmão de Bill Murray também na vida real), e volta a a afastar a mulher que ama.
Dá-se então o primeiro encontro com o primeiro fantasma (Fantasma dos natais passados). Antes de ele aparecer, Frank começa a ter alucinações e depois conhece o fantasma taxista que o transporta ao passado para fazê-lo recordar de alguns natais, desde a infância até à idade adulta. 
Depois aparece o fantasma do presente, uma espécie de fada que se farta de lhe dar porrada. Aqui vai estar presente na ceia de Natal do irmão, que continua a confiar nele apesar de tudo, e na da sua secretária que tem um filho mudo. Aqui, o Frank, que é uma espécie de Grinch, começa a ganhar "sentimentos", mas não o suficiente para o fazer mudar.
Finalmente dá de caras com o fantasma do futuro, que é representado pela figura da Morte. E são essas "previsões" que o fazem mudar completamente, culminando numa cena que tem tanto de hilariante como de sentimental. Numa espécie de discurso/monólogo em frente às câmaras em directo dá uma lição do que é o espírito de Natal. 


E porque é que este filme é especial para mim? Primeiro é o regresso do Bill Murray aos filmes de fantasmas, depois do Ghostbusters. E só o facto de ter Bill Murray no papel principal é ponto a favor. Digamos que nos anos 80/90 o gajo era o rei, o maior. Parece que na rodagem, o gajo não se dava com o realizador (Richard Donner) e que as filmagens foram um sacrifício. Confesso que isso não se notou nada. Talvez se ele tivesse mais liberdade, que segundo ele não tinha, o filme fosse melhor, ou pelo menos diferente. 
Depois, já conhecemos a história original do Charles Dickens de trás para a frente. Já foi adaptada dezenas e dezenas de vezes. Acontece que aqui, essa adaptação é tão original, o que o torna mais memorável.  
Segue-se a música do Danny Elfman. Só podia ser dele. Tem aquele tom sinistro que toda a gente lhe reconhece. Acho que voltou a usar alguns excertos no Batman Returns (outro grande filme de Natal).


Mas o filme não é perfeito. Longe disso. Há quem possa achar que o filme é desequilibrado. Não é totalmente comédia. De vez em quando há umas passagens um pouco abruptas entre momentos de comédia e momentos mais dramáticos. Estou a lembrar-me, por exemplo, do momento em que está a ver o seu Natal na infância. Compreendo que muitos poderão não ficar agradados com esta escolha. O filme está ainda um pouco datado nas referências todas que faz. Hoje em dia quase ninguém perceberá, por exemplo, a piada que refere o Richard Pryor.


Palavra final para duas coisas muito boas do filme:
- A inclusão da arma que o Jesse Ventura usa no filme Predator. Foi um docinho para os fãs.
- A presença no elenco de Bobcat Goldthwait, a fazer de empregado da estação de televisão, que no dia de Natal é despedido, deixado pela mulher e tem um dia de cão. (Se não sabem quem é o actor Bobcat Goldthwait, vocês não são dignos de estar a ler um texto neste blog. É só o gajo com uma voz muito característica e que entrou nos filmes todos do Police Academy - à excepção do primeiro.)

Agora, ide lá comer umas rabanadas, beber um espumante e abrir os presentes.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

TOP 10 WORST 2016 MOVIES

O ano ainda não chegou ao fim, e eu já ando a fazer balanços. Faço para já um balanço do pior que vi este ano. E não vi muitos filmes deste ano. Ainda quero ver alguns, mas acho que (os que quero ver) não são dignos desta lista lista do pior que se fez este ano. Por isso, dos cerca de 40 filmes que vi estreados este ano, seleccionei dez que são pedaços de cocó por diferentes razões. 
(Não estabeleço nenhuma ordem específica porque são todos merda)

- INDEPENDENCE DAY: RESURGENCE (2016) - O Dia da Independência: Nova Ameaça, de Roland Emmerich


Queria tanto que este filme fosse bom, ou pelo menos divertido. Não foi. Está ali uma salganhada que não se aguenta, e nem o Bill Pullman ou Jeff Goldblum salvam o filme do desastre que foi.

- CABIN FEVER (2016), de Travis Zariwny


A minha questão é só uma: PORQUÊ? Um remake de um filme de terror com pouco mais de 10 anos? E o Eli Roth aceitou e produziu? O original via-se bem, os actores até sabiam representar. Aqui nada funciona com desempenhos que faz qualquer actor porno digno de Oscar.

- CELL (2016) - Chamada Para a Morte, de Tod Williams


Que o título português não se confunda com o clássico do Hitchcock, Dial M For Murder. Este é só um filme de "zombies". Só o vi porque era baseado num romance de Stephen King que tinha lido recentemente. O livro em si não é dos melhores de King mas o filme é todo ele mau demais.

 - GHOSTBUSTERS (2016) - Caça-Fantasmas, de Paul Feig


Mais um remake, mas desta vez de um clássico dos anos 80. E se o original tinha tudo: química entre actores, bem escrito, bons personagens, e sobretudo piada, que é o que falha neste filme. Quase que tinha vergonha por todos os envolvidos. Quando a única pessoa que tem alguma graça no filme é ó único gajo que não está relacionado com a comédia (Chris Hemsworth), é porque alguma coisa está mal.

- INFERNO (2016), de Ron Howard


É certo que os anteriores Da Vinci Code e o Angels & Demons não eram nada de especial, mas pelo menos até se viam bem. Este é mau. Não se passa nada ali que chame a atenção, e é pena porque o Tom Hanks já não tem o penteado ridículo do primeiro filme e tem a Felicity Jones, o que é sempre positivo. O melhor do filme é mesmo o actor indiano, Irrfan Kahn (tive de ir ao imdb que não sabia mesmo o nome dele).

- SKIPTRACE (2016) - Salva-te se puderes, de Renny Harlin


Este está na lista porque tem o Jackie Chan. E porque foi a primeira vez na vida que não consegui ver um filme do Jackie Chan até ao fim. 

- THE BOY (2016) - Segue as regras, de William Brent Bell


Um filme de terror que não assusta, não mete medo, por uma simples razão: NÃO SE PASSA NADA!!!

- THE HUNTSMAN: WINTER'S WAR (2016) - O Caçador e a Rainha do Gelo, de Cedric Nicolas-Troyan


Este é bem-feita para mim que já sabia que ia ser mau e mesmo assim fui ver. Não é tão mau como o primeiro, mas mesmo assim não se salva da mediocridade.

- THE LEGEND OF TARZAN (2016) - A Lenda de Tarzan, de David Yates


Até tenho muito respeito pelo Yates, mas foda-se lá para o filme e para os seus flashbacks. O Tarzan já teve milhares de encarnações no cinema, e mesmo assim continuam a fazer mal. Deixem-se ficar pelos clássicos dos anos 30.

- ZOOLANDER 2 (2016), de Ben Stiller


Uma sequela do muito bom Zoolander, com a mesma equipa, mesmo actores, mesmo realizador. É óbvio que não podia falhar..... mas falhou. Só faltou uma coisa: PIADA!


É óbvio que há muitos maus e piores filmes estreados este ano, mas não estão aqui porque não os vi. Dos que vi e que não foram tão maus como estes 10: Now You See Me 2, Batman v. Superman, Kickboxer: Vengeance, X-Men Apocalypse, Bad Moms, Bridget Jones' Baby.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ROGUE ONE: A STAR WARS STORY (2016)


É POSSÍVEL QUE ESTEJA CARREGADINHO DE SPOILERS

Não contem com isenção e imparcialidade.

A minha relação com o universo Star Wars é estreita. Sou um fanático moderado. E o que é um "fanático moderado"? Não sou daqueles que colecciona tudo e mais alguma coisa dos filmes. Se o fosse, hoje estaria na falência, tal é a quantidade de merchandise existente. Somos bombardeados com material para todos os gostos. Tenho um ou outro coleccionável, mas nada de especial. Não sou de mergulhar nas séries de televisão. Não gostei muito do Clone Wars, mas a Rebels é muito boa. O meu interesse é mesmo a saga de filmes. E mesmo que as prequelas sejam o que são, eu gosto delas. O Episódio 3 é mesmo um grande filme. Carregadinhos de defeitos, é certo, nomeadamente no argumento. 

Ora, depois da Lucasfilm ter sido adquirida pela Disney, anunciaram logo que os filmes da saga não seriam apenas as trilogias (Ep. 1 ao 9). Iriam fazer mais filmes baseados no universo para saírem todos os anos. Há bonecos para vender e parques temáticos para construir. E se há coisa que a Disney gosta, é do dinheiro dos pais dos putos. Não interessa se é bom ou mau, mas é a estratégia deles. E digamos que os gajos andam a ganhar o monopólio dos grandes franchises. Vejam as prateleiras de brinquedos dos supermercados: 90% estão ocupados por bonecos Disney (Mickeys e companhia), heróis da Marvel e Star Wars. Eles ADORAM dinheiro. 
Por mim, podem ficar descansados que vão ter sempre os euros que gasto nos bilhetes de cinema. Se não conseguiram fazer-me fugir com as prequelas (volto a dizer que gosto), também não o vão conseguir no futuro. E parece que teremos um filme ao ritmo anual. 

Bem, para fugir aos Episódios, decidiram fazer um filme que se liga, e muito ao filme original de 1977. E para uns, este filme até poderá ser desnecessário, mas para mim não. Acho que foi bem pensado fazer um filme isolado sobre a história dos rebeldes que conseguiram arranjar os planos da Death Star do Ep. IV. Claro que o filme foi pensado para arrancar mais uns tostões à malta, mas com isso posso eu bem - se o filme for bom.

E o que é que aqui o escriba acha do filme? 
- É bom? É sim senhor.
- É perfeito? Não. (Também ninguém pedia que fosse)
- Tem problemas? Alguns.


Vamos lá ver alguns aspectos positivos e negativos do filme. 

(É possível que daqui para a frente, o texto se torne confuso para quem não viu o filme. Aliás, até para quem viu pode ser confuso.)

Começando pelo negativo: o maior problema do filme reside no ritmo. A primeira parte do filme torna-se demasiado lenta. E com cenas que se calhar não interessam muito. Eu não teria problemas com isso se esse tempo fosse ocupado com estarmos a conhecer melhor os personagens principais. Tirando a Jyn Erso (Felicity Jones), ficamos sem conhecer realmente ninguém, as suas motivações. O que acaba por não criarmos um laço tão afectivo com eles. 
Para quem não conhece a fundo o universo de Star Wars, o filme acaba por ser um pouco confuso. E não é fácil fazer entender onde é que este filme se enquadra com todos os filmes anteriores. E a escolha da Felicity Jones (que eu adoro e acho que vai muito bem no filme) pode gerar algumas confusões. A certa altura, a minha mulher pergunta de aquela mulher era a mesma do filme do ano passado, confundindo com a Daisy Ridley. O que me leva a concluir que se calhar este filme é claramente o chamado "fan-service".
Depois, mesmo para mim, no início do filme há ali partes mais confusas, nomeadamente com o saltar de planeta em planeta. Em pouco minutos, devem ter estado em meia-dúzia deles. Houve um crítico que comparou estas cenas com uma máquina de flippers em que a bola não pára quieta. 
Outra coisa que não gostei foi a voz do Saw Gerrera (Forest Whitaker). Chegou a certo ponto que me irritava e de ficar contente quando morreu. O Gerrera tinha também lá no seu sítio um monstro que mais parecia uma lula gigante que lia pensamentos. Toda essa cena me pareceu desenquadrada e era facilmente cortada. 

Mas o filme é bom e por isso tem muitos aspectos positivos, a começar pelo elenco. Mesmo que não haja um aprofundamento dos personagens, todos eles vão bem. Além da Felicity Jones, que para mim está sempre bem em todos os filmes, realço o Donnie Yen e o Ben Mendelsohn.
O Donnie Yen é um bad-ass do caraças, e mesmo cego é vê-lo a desancar uma série de stormtroopers com o seu bastão. E o Ben Mendelsohn como o vilão principal do filme. 
Depois, e como se trata de um filme de Star Wars, tem de haver um robot lá pelo meio, sempre é mais um brinquedo para vender. E aqui criaram o K-2SO, que é uma espécie de C3PO mas menos irritante (sim, o C3PO era irritante nas horas) e mais bad-ass. De referir que a cena em que o R2D2 e o C3PO aparecem foi lá enfiada para podermos dizer que são os únicos personagens que aparecem em TODOS os filmes de Star Wars. Era escusado mas também não ofende. Acho que faria mais sentido se aparecessem na cena final na nave dos rebeldes.

Neste filme tentaram, e acho que bem, incluir personagens do primeiro filme da saga. Era obrigatório o Grand Moff Tarkin aparecer. Acontece que o actor Peter Cushing já morreu há mais de 20 anos. Os magos do CGI lá conseguiram dar vida ao personagem, e creio que para olhos menos atentos e menos entendidos, passa muito bem como actor a sério. E ele aparece muitas vezes no filme, o que era perigoso fazer algo do género. Para quem sabe que é criado digitalmente, pode distrair um pouco no início, mas depois embarcamos e nem pensamos que aquilo é uma imagem de computador e não um actor. Mesmo no final, fizeram o mesmo com a Princesa Leia. Rejuvenesceram a Carrie Fisher.
Depois, foi engraçado ver as referências aos outros filmes, sem nunca me parecer que tenham sido enfiadas a pontapé. Há referência a Obi-Wan Kenobi, a nave da série Rebels anda lá pelo meio, muitos outros personagens. Até o esquadrão do primeiro filme lá anda no final. O "Red Five" ainda era vivo, lugar que depois foi ocupado pelo Luke Skywalker. Estes pequenos easter-eggs acabam por se enquadrar bem no filme e ajudar a conectar com os acontecimentos do Ep. IV.
A cena da batalha na praia está bem construída, até porque se trata de um filme de guerra, e isso aqui foi bem retratado.


Para acabar, tinha de falar sobre o Darth Vader. Já se sabia que ele iria aparecer no filme. E muitos queriam que ele aparecesse mais tempo. No entanto só aparece em duas cenas. E que cenas. Na primeira cena discute com o vilão do filme sobre a "gerência" da Death Star. É giro ver o ar cheio de medo do Krennic (Ben Mendelsohn) e o Vader a sufocá-lo e a largar a frase "Don't choke on your aspirations". Era o mesmo que dizer: "estou a cagar-me para o que tu queres. Faz isto e cala-te."
Finalmente na cena final em que ele aborda a nave rebelde à procura dos planos da Death Star, e com o lightsaber mata todos os soldados que lhe aparecem à frente. Só esta cena vale o bilhete do filme. Até dá arrepios.

Acaba por ser o filme mais triste da saga. Nós já sabíamos (mais ou menos) o desfecho, mas as cenas em que os personagens principais vão morrendo TODAS, acaba por nos deixar melancólicos. 

Não, não é o melhor filme da saga. Mas acaba por ser um filme necessário. E acho que quando voltar a ver vou gostar mais. Nesta primeira visualização, achei desequilibrado no ritmo. À segunda poderei não ter essa opinião.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

HOME ALONE (1990)


Ah, o Natal. Essa época festiva cheia de harmonia, solidariedade, bacalhau (ou peru), prendas, músicas de Natal, e filmes de Natal. Sobre a solidariedade, já se sabe que durante 11 meses do ano não sabemos o que isso significa. Mas chega o Natal e é ver todas as iniciativas. Sobre as músicas de Natal, parece que este ano todas se resumem ao "All I want for Christmas is you" da Mariah Carey, mesmo que esta já tenha mais de 20 anos. Depois existe a puta da Popota, para nos lembrar que o que interessa no Natal são as prendas, sejas tu gordo ou magro.
Mas o Natal não são só coisas más. Também temos (ainda) o Natal dos Hospitais.... Não... Estou a gozar. Aquilo é só deprimente. Ver um público, que já não bastava estar com os pés para a cova e ainda tem de gramar com música pimba o dia todo. Aquilo é para quê? Mostrar o caminho da luz? Ver se morrem mais depressa? 
Gosto do Natal, se excluir a Mariah Carey, a Popota, o Natal dos Hospitais, as prendas. De resto sou o mais natalício de todos. Gosto das verdadeiras músicas de Natal (White Christmas, Little Drummer Boy, A Todos Um Bom Natal...). Gosto de ver a casa decorada com o pinheiro e outros objectos do mais kitsch que existe. Esta é a única altura em que o vermelho fica bem vestido, mesmo que seja nos barretes de pai natal comprados nas lojas chinesas. Gosto do ambiente de convívio, jantares de natal e de família. E gosto de filmes de Natal.


Da mesma maneira que gosto de ver filmes de terror por altura do Halloween, em Dezembro gosto de filmes natalícios. E se há tradição que tenho conseguido cumprir todos os anos desde o início dos anos 90, essa tradição é a de ver o Sozinho em Casa (1 ou o 2 - às vezes ambos). Este ano não foi excepção. Pode não ser no dia ou na consoada, pois há mais azáfama nessa altura. Mas em Dezembro é certo e sabido que tenho de arranjar 90 minutos para ver as aventuras de Kevin e dos dois ladrões. 
O filme já toda a gente conhece a história. Família deixa puto sozinho em casa. Puto tem que defender a casa dos ladrões. Mas não é a história que torna este filme intemporal. Pois, porque o filme está cheio de incongruências e coisas que nunca aconteceriam na vida real. Então, temos uma casa com umas 20 pessoas e todas elas adormecem antes de ir de viagem? Isso não importa nada. O que John Hughes (na escrita) e o Chris Columbus (na realização) queriam era criar uma história divertida. E foi isso que conseguiram. A certa altura parece mesmo um cartoon, tais as armadilhas que o Kevin inventa em sua casa. 
Coisas a reter sobre o filme: Macalay Culkin. Não deve ser fácil um puto de 8 anos levar um filme às costas, e ele consegue-o. Claro que ele conta com o carisma do Joe Pesci e Daniel Stern (os ladrões). Bem vistas as coisas, o puto era do mais macabro que há. Já que vivemos numa época de remakes/reboots, eu faria um filme actual passado com ele, passados 30 anos, onde ele se tornaria um verdadeiro psicopata. Já estou a ver o título "Home Alone 3: the American Psycho" (Hollywood, esta ideia é de graça para vocês). 
Depois temos guardado na nossa memória todas as tentativas do Joe Pesci para não dizer asneiras cada vez que se magoa no filme. Já o conhecemos de papeis no Raging Bull, Goodfellas, Once Upon a Time in America. Todos papeis de filmes adultos, onde a linguagem não era barreira, pelo que vê-lo aqui, num filme de família a grunhir palavrões sem os realmente dizer, isso é hilariante.


Para mim este filme acaba por ser o pináculo desse género que é o "filme de Natal". Sempre que o vejo, sei que é um bom momento, e que me vai deixar um sorriso na cara. Daqui a 1 ano sei que o vou rever, e daqui a 2, a 3, a 10 e por aí em diante.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

CAPTAIN AMERICA: THE WINTER SOLDIER (2014)


SPOILERS

Chegou a vez da sequela do Captain America, ou como este se tornou no melhor super-herói da actualidade.
O filme começa logo com uma missão para resgatar uns reféns. Para que serve esta cena? Para nos reintroduzir ao personagem principal e nos mostrar o quão boa é a Natasha Romanoff. Aqueles fatos justinhos no corpo cheio de belas curvas da Scarlett ficam-lhe tão bem. 
Depois o Capitão mostra-se desiludido com toda a merda que se passa lá pelo meio. Aparece o Robert Redford, que trata da parte mais política da segurança mundial. Vem depois mostrar que afinal é só um filho da puta. 
Entretanto o Nick Fury é atacado e "morto" por um gajo que é um bad-ass. Nesta altura ainda não sabemos quem é. Anda de máscara mas apenas sabemos que é o chamado Winter Soldier (o do título). 
Depois, o pessoal é traído pela própria SHIELD e o Capitão decide que quer acabar com tudo, ou seja, não só a Hydra, mas também a SHIELD. Para isso conta com a ajuda de mais um avenger que é introduzido neste filme, o Falcon (Anthony Mackie). Este gajo tem um fato com asas muito cool. O Nick renasce dos mortos, e todos juntos combatem os maus. Aqui já a Hydra se tinha apoderado da SHIELD. Ah, e entretanto ficamos a saber a verdadeira identidade do Winter Soldier. O mau deste filme é só o melhor amigo do Capitão no primeiro filme. Supostamente tinha morrido. Mas afinal depois tornou-se neste soldado inimigo, fruto de experiências científicas. 
(Aparte: estes filmes mais parecem o Dragon Ball. Os personagens morrem, mas será que morrem mesmo? Voltam sempre à vida, como se tivesses reunido as bolas de cristal do DB.)
No final, os bons ganham, os maus perdem e fim de filme.


Este acaba por ser o filme mais diferente desta vaga da MCU. É o mais sério e com mais tomates, senão vejamos. O que temos aqui é um thriller político e de espionagem, que por acaso contém uns super-heróis lá pelo meio. Trata-se assim do mais realista. Uns poderão não achar piada a esta escolha. Eu gostei. Aliás, isso nota-se logo no genérico do filme. É todo ele típico de um filme antigo de espiões. Não tem tanta acção quanto se poderia esperar, mas a que tem até é bastante decente. 
Depois, ainda curti muito a química entre o Chris Evans e a Scarlett Johansson, que mesmo não sendo par romântico, a mim parece-me que ela deseja que o Capitão lhe faça a vénia nos lençóis. 

Não será o meu preferido da MCU, mas é Top 2. Curiosamente, o meu favorito é o primeiro Capitão América. 

TOP MCU até ao momento: 
2º Captain America: The Winter Soldier
4º Thor
6º Iron Man

(Próximo filme: Guardians of the Galaxy. De longe o mais divertido de todos.)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

THOR: THE DARK WORLD (2013)


SPOILERS (basicamente conto a história toda)

Thor 2 ou The Avengers 8? Continua a saga dos Vingadores da Marvel, desta vez com a sequela directa do Thor. Depois do filme de super-heróis mais shakespeariano (Thor), aqui vamos a uma coisa mais tradicional.
O filme começa no mundo do Thor. É apresentado o vilão do filme: o Malekith (acho que se escreve assim) e anda à procura de uma espécie de arma que dá poderes (onde é que eu já vi isto?).
O Loki está preso e o Thor anda preocupado em estabelecer a paz nos vários reinos. Claro que traz paz aos Nove Reinos à base da porrada e não da diplomacia. Odin (Anthony Hopkins) oferece-lhe o lugar de rei, mas o que ele quer mesmo é papar a Jane (Natalie Portman). Na verdade, quem é que o pode culpar? Se posso comer a Natalie, é isso que se faz. 
Entretanto na Terra, a Jane é infectada com uma merda qualquer e o Thor leva-a para Asgard para a poder curar. É essa merda que infectou a Jane que o Malekith anda à procura. Há lá conversa pelo meio e o mau da fita mata a mãe do Thor (Rene Russo). O Thor acha que é boa ideia libertar o Loki para o ajudar a capturar/ matar o Malekith. Claro que não perde muito tempo até ser traído. Loki corta-lhe a mão e deseja juntar-se ao mau. Como o Malekith não vai nessa cantiga, há lá uma luta e o Thor e Loki unem esforços. Num gesto de redenção, o Loki salva a Jane, salva depois o Thor e morre nos braços deste. Se eu quisesse, ia acusar os argumentistas de copiarem a história de Star Wars. Senão vejamos: O Loki no início era bom, assim como o Darth Vader. Por inveja, ódio, luta pelo poder, passou para o lado mau/negro (assim como o Darth Vader). E pouco antes de morrer redime-se e salva quem gosta (assim como o Darth Vader). Só não digo que é plágio porque as coisas afinal, como se vê mais à frente, não é bem assim. 
No meio disto tudo há o típico problema dos mundos se alinharem, no que eles chamam de "convergência" e isso provocar umas cenas esquisitas. São abertos uns portais entre os mundos e dá-se a batalha final. O vilão é destruído e a cidade onde se passa a acção também. Mas quanto a isso ninguém liga. 
No final dá-se o volte-face. Numa conversa com o "pai", Thor recusa a oferta para ser Rei, proferindo a frase que fica bem em qualquer t-shirt: "I'd rather be a good man than a great king". Acontece que a pessoa que supostamente seria Odin, é afinal Loki. O gajo não morreu e ocupou o trono como sempre almejou. 


O filme está na média que tem sido os filmes da Marvel. Tem ali coisas boas. De notar que há mais humor neste filme que no anterior, e isso é bom, nomeadamente com a arrogância do herói. O Thor faz mais cenas de Thor, o que também é positivo. E há ali um cameo do Captain America que foi engraçado. Só que há ali muita coisa desnecessária, como toda a história na Terra e os elementos humanos. A minha pergunta é: para quê? 

Mas o que salva mesmo este filme é, e já não é novidade nenhuma, o Loki (Tom Hiddleston). Cada vez que ele está no ecrã é um deleite. E quando não está, desejamos que esteja. Por isso fiquei contente no final, quando vi que afinal não tinha morrido. Achei isso confuso, mas se calhar isso é problema meu. Afinal quem é que morreu nos braços do Thor? O Loki acaba por ser para a Marvel o que o Joker é para a DC. O vilão que toda a gente adora.

TOP MCU até ao momento: 
Thor
Thor: The Dark World

(Próximo filme: Captain America: The Winter Soldier. Na altura achei-o o melhor filme da Marvel. Vamos ver se mantenho a opinião.)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SUICIDE SQUAD (2016)


A DC parece aqueles miúdos ciumentos que não podem ver os amiguinhos a fazer alguma coisa que querem logo imitar. Ora, viram a Marvel a criar com muito sucesso um universo cinemático e logo correram a tentar fazer o mesmo. Independentemente daquilo que eu acho dos filmes da Marvel, o que é certo é que têm sabido gerir muito bem os seus super-heróis. A DC, por seu turno, tem ao seu dispor a melhor matéria-prima. Fogo, afinal tem Batman, Superman e o Joker, só para referir alguns. É certo que o seu universo ainda é curto, e só tem aqueles dois filmes do Superman que, basicamente, são cocó.
Como viram que as coisas não tinham corrido como o esperado, decidiram mudar um pouco o tom e forma de fazer os filmes, e dão-nos aqui um filme bem melhor que os anteriores, mas ainda com problemas. E se a Marvel tem os seus Avengers, a DC começou já a juntar uma série de personagens neste Suicide Squad, e daqui a uns tempos o Justice League.



SPOILERS

A história deste filme é simples. Como o Superman está morto, uma mulher que deve trabalhar para o governo (Viola Davis) acha que é boa ideia juntar um conjunto de bad-guys, cada um com o seu "poder", para fazer face a uma possível ameaça. Não sei se será a melhor ideia do mundo, mas é só isso.
O filme começa bem, ao som dos The Animals ("House of the Rising Sun"), logo com uma cena do Batman a capturar o Deadshot. Serve para apresentar o personagem do Will Smith e como cameo do Batman. Afinal, temos que nos lembrar que é tudo o mesmo universo.
Depois vão sendo apresentados todos os personagens: a Harley Quinn, o Captain Boomerang, o Killer Croc, etc. 
Entretanto aparece uma espécie de monstro que ameaça a Terra com um raio para o céu. (A sério que todos estes filmes têm SEMPRE a merda de um raio para o céu??)
Depois, sem mais nem menos, aparece mais uma personagem, a Kitana, só porque sim. Mas é sempre cool ter uma mulher samurai de espada na mão. 
Isto tudo vai-se passando e ao mesmo tempo vão existindo uns flashbacks com a história do Joker e da Harley Quinn e da relação entre eles. A bem dizer, se cortassem as cenas dele o filme continuaria igual. Não traz nada de novo. Eu acho que ele está lá porque é o Joker, e as pessoas querem sempre ver o Joker
Entretanto, o gajo aparece para salvar a Harley, mas acontece que ele (aparentemente) morre. Ela fica devastada, mas dois minutos depois já está tudo bem. 
Dá-se o confronto final com a Enchantress e final de filme.


O filme acaba por ter algumas coisas boas e outras muito más. Antes de mais, de referir a óptima banda-sonora. Se neste filme conseguem incluir "Seven Nation Army", "Bohemian Rhapsody" ou "Sympathy For the Devil", isso merece o meu respeito. Depois gostei ainda dos elementos de humor, coisa que faltava nos filmes anteriores. Claro que isso tudo vai às costas do Will Smith e da Margot Robbie. Só o carisma do Deadshot chegaria, mas se juntarmos o lado louco e sexy da Harley Quinn, então temos mais que suficiente para salvar o filme. 
No lado das coisas más temos o vilão e vilã que são uma merda. A Enchantress está lá para se abanar. Aquele final foi para esquecer. 
Claro que tinha de ter uma palavrinha sobre o Jared Leto como Joker. Já toda a gente sabe que o gajo é bom actor, mas também sabemos que o Joker do Heath Ledger ainda está muito fresco na memória. Sobre esta versão, confesso que tenho mixed-feelings. Se calhar no futuro vai ter tempo para aprofundar melhor o personagem, mas aqui pareceu-me apenas um psicopata "normal". Vamos ver como se sai no futuro.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

IT'S A WONDERFUL LIFE (1946)


Há filmes e depois há FILMES (com todas as letras maiúsculas). Este It's a Wonderful Life é daqueles que deve ser visto e revisto e depois revisto vezes sem conta. E são estes os filmes sobre os quais tenho mais dificuldades em escrever. Porque escrever mal é relativamente fácil. Mandam-se umas larachas e depois temos uns haters a reclamar se falamos mal de alguma coisa que gostem. Mas escrever sobre um filme que achamos praticamente perfeito é dificílimo (pelo menos para mim). 

Ora, o Natal está a aproximar-se mas mesmo assim já respiramos esta época natalícia. E como é normal, todos os anos sigo a tradição de escolher uma dúzia de filmes para ver nesta época. São os chamados "filmes de Natal". E estes "filmes de Natal" abrangem quase todos os géneros, desde o drama, terror, comédia ou acção. E se há filme que deve ser visto todos os natais é este clássico de Frank Capra
A história gira toda ela em torno de George Bailey (James Stewart). Um anjo, ainda sem asas, é enviado à Terra para ajudar George. Se cumprir essa missão lá ganhará as suas asas. Vamos conhecendo o George desde miúdo, para percebermos a razão pela qual ele precisa de ajuda. E durante este tempo todo vamo-nos "apaixonando" por este personagem. Ele é aquela pessoa que põe sempre os outros em primeiro lugar. Abdica dos seus sonhos para ajudar quem pode. Um verdadeiro altruísta. Nem quando o maior "vilão" da cidade, que é dono de praticamente toda, lhe faz uma oferta de trabalho irrecusável, ele recusa. É aí que se dá o volte-face. Devido a uma distracção do seu tio, perde o dinheiro todo da empresa que gere e por causa disso pode ir parar à cadeia, prejudicando mesmo assim muita gente. O desespero leva-o a considerar o suicídio e é aí que surge o anjo que o salva. O anjo Clarence (Henry Travers) leva-o numa jornada onde vai ver como seria a vida de todos se ele nunca tivesse nascido e como as afectaria para pior. Claro que o final é previsivelmente feliz, mas é o final obrigatório. 


O que Frank Capra conseguiu foi um equilíbrio de emoções. O filme começa bem disposto, com humor à mistura e romance. Para depois nos levar às lágrimas de tristeza e no final de felicidade. 
Se existe filme inspirador, este Do Céu Caiu Uma Estrela é o exemplo maior. E depois uma palavra para James Stewart, que no pico da sua forma nos oferece a sua prestação mais comovente, mais equilibrada da carreira. A mostrar porque é um dos melhores actores de SEMPRE.

Sim, é um filme de Natal, que deve ser visto não só nesta época, mas como em qualquer dia do ano. O melhor filme para vermos quando nos sentimos sem caminho, sem destino. Se esta obra não consegue animar a pessoa mais deprimida e/ou depressiva do mundo, não sei o que fará.

«Combine the characters, the story, the message, and the acting, and it's easy to see why It's a Wonderful Life isn't just a holiday favorite, but a great movie by almost any standards.» (James Berardinelli)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

IRON MAN 3 (2013)


Fosca-se, que esta merda nunca mais acaba. E ainda só vou a meio. Quando decidi que iria fazer uma maratona relativa à MCU, pensei que fosse mais fácil. Mas pronto, já vi merda pior. Só para perceberem, houve uma altura em que via os filmes TODOS da Asylum. Para quem não sabe o que é, trata-se da companhia que produz filmes como o Sharknado, mas a maioria pior. Por isso, se consegui ver esses pedaços de estrume, também hei-de conseguir ver estes da Marvel. E podem perguntar: se já sei que não gosto destes filmes, porque não utilizo esse tempo a ver coisas que realmente me interessem? Sei lá... deixem as perguntas difíceis para outros.
Começou então com este Iron Man 3, a chamada Phase Two deste universo. E a primeira questão que se impõe é a seguinte: este Iron Man 3 (realce para o "3") é uma sequela do Iron Man 2 ou do The Avengers? É que pelo título, trata-se de uma sequela directa do Iron Man 2, mas os episódios do The Avengers também são importantes e referidos, por isso não faz sentido ser o "3" se há merda depois do "2" e antes desse "3" que também importa. Foda-se, e ainda dizem que a ordem dos filmes do Star Wars é complicada. Então, mas se eu não quiser ver os filmes todos da MCU e só quiser ver os filmes do Homem de Ferro, será que estou a perder informação importante? AHHHHH.... ou estes gajos são uns génios do marketing ou esperam que nos estejamos a cagar para isso tudo. A avaliar pelas receitas de bilheteira, acho que devem ser mesmos uns génios. 


SPOILERS

Este filme começa após os eventos em New York (ver The Avengers)..... ah espera... não começa nada. Começa antes sim ao som de Eiffel 65 ("Blue Da Ba Dee"). E é ao som deste pop eletrónico que somos enviados para os anos 90, com um jovem Tony Stark e um gajo com ar de totó, meio atrasado (Guy Pearce). Esse totó tem uma ideia brilhante que quer apresentar ao Tony, mas o gajo na altura queria era putas e vinho verde (como se diz na minha terra). Ele caga para o gajo, e já se percebeu que o totó se vai passar dos carretos e tornar diabólico. Faz lembrar o personagem do Jim Carrey no Batman Forever (já não é a primeira vez que apanho a Marvel a roubar ideias à DC Comics). De realçar ainda o penteado espectacular do guarda-costas do Tony (Jon Favreau) com um mullet de fazer inveja ao MacGyver dos anos 80.

Passamos então para o presente e é introduzido "O" vilão, o Mandarim. Um espectacular Ben Kingsley, e digo desde já que é o melhor do filme. Faz aqui de uma espécie de Bin Laden pronto a explodir com coisas.
Percebemos que o Tony anda com um stress pós-traumático depois de ter salvado a Terra de uns "flying monkeys" (mais uma vez, ver o filme dos The Avengers). Não consegue dormir e quando consegue tem pesadelos. Eu também os tive só de ver o filme, quanto mais de participar nele.
Aparecem uns seres esquisitos que explodem, e aí percebemos que são eles os "bombistas suicidas" que andam a provocar atentados. 
O Tony, como gosta de ser o centro das atenções, provoca os terroristas e dá a morada dele em directo para a televisão. E como se esperava, pouco depois a casa é atacada. Ora, parece que o fato do Iron Man é muito fácil de usar, pois qualquer um o consegue usar. Aqui foi a namorada dele. O gajo é projectado uns milhares de quilómetros, só porque sim, mas toda a gente pensa que ele está morto. Vai ter a uma pequena vila e lá faz amizade com um garoto, porque isso não é nada estranho. Curiosamente o miúdo tem material em casa que dá para restaurar o fato de ferro. Os seres que explodem continuam a atacar. Conversa e tal lá pelo meio. Algum humor à mistura, e ainda bem. 
O Tony descobre o Mandarim e dá-se o anti-clímax da história. Afinal o diabólico Mandarim é só um actor contratado. Parece que precisava do dinheiro para álcool e droga. Tudo para disfarçar quem é o verdadeiro terrorista. Já se esperava que era o totó do início. Só que o gajo tornou-se numa espécie de génio sedutor. 
Entretanto o Tony é capturado mas consegue soltar-se. Porque é que isto aconteceu? Não sei, mas acho que o filme passava bem sem este episódio e ficava mais curto. É que o filme é longo para caraças. 
Para acabar o filme com uma grande cena de acção, o presidente norte-americano, que até agora nem me lembro se tinha aparecido, é atacado. O Iron Man salva a situação com ajuda e tal e fim de filme. 

Sim, o filme tem coisas más. Não havia necessidade de ser tão longo. Há uma meia-dúzia de cenas que eram bem cortadas. Há umas coisas que não fazem muito sentido.
Mas nem tudo é mau. Há umas coisas bem positivas, nomeadamente os vilões. Guy Pearce vai acabar por ser totalmente esquecido, mas até esteve bem. E o Ben Kingsley é o ponto alto. Parece que nos comics o gajo era um vilão mesmo mau. Mas aqui, os argumentistas estão completamente a cagar para esse canône das bandas-desenhadas. Para mim resultou bem. Acabam por ser as melhores partes do filme. 
Também gostei do facto de haver muito mais Tony Stark e menos Iron Man. Isso acaba por tornar menos aborrecido todo o filme. 
Nota-se o dedo do Shane Black no argumento e realização. Apesar de ser mais o mais negro da trilogia, é também o mais engraçado. E esse equilíbrio acaba por resultar.

TOP MCU até ao momento:
Thor
Iron Man 3

(Próximo filme: Thor - The Dark World. Quer-me parecer que deveria ter mantido o Kenneth Branagh.)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

THE AVENGERS (2012)


SPOILERS

Vamos lá então ao final da chamada Phase 1 da MCU. Andaram anos a fazer filmezinhos de super-heróis, com easter-eggs lá pelo meio, de forma a juntar tudo num bolo. Os cinco filmes anteriores são uma espécie de ingredientes que no fim resultam (para já) neste The Avengers. No entanto, por vezes podemos ter os melhores ingredientes do mundo, que nem sempre resultam num grande produto. Toda a gente tem acesso aos ingredientes da Coca-Cola, mas a receita secreta fica com eles. Aqui, o que se passa é um bocado isso. Os cinco ingredientes (filmes) anteriores já não eram grande espingarda, e por isso, dificilmente resultariam num grande filme. O "grande" aqui só se for na duração. São 2 horas e 20, mas parecem muitas mais. O maior problema do filme é que é uma grande salganhada e tem uma primeira parte aborrecida. E depois é tudo à grande. Há uns anos, havia no futebol uma equipa que chamava de galáctica. Tinha os melhores jogadores do mundo. Mas isso não queria dizer que tinham a melhor equipa. Há muitos egos a tratar e a conjugar. 
O filme começa com Nick Fury (Samuel L. Jackson) e tentar reunir a equipa. O que nos lembra logo à partida todos os filmes anteriores. É ele um dos pontos de conjugação. O agent Coulson, que nos anteriores andava mais numa de fazer presenças, tem agora mais destaque. E o que é que lhe acontece quando tem mais destaque. É morto, só para não ser mais um. E é pena, porque era dos meus personagens preferidos. Pelo menos é morto pelo Loki. E se é para morrer, que seja às mãos do maior vilão.
Depois anda lá a Robin do How I Met Your Mother (Cobie Smulders). Ainda não sei bem o papel dela, mas anda por lá a fazer cão de fila do Nick Fury.
Entretanto, reaparece o Loki, que tinha morrido no filme do Thor. Vai lá às instalações da SHIELD, porque descobriram um artefacto que serve de portal entre mundos. Mata uns quantos e "transforma" o Hawkeye em mau, assim como um cientista, que ao fim ao cabo ninguém quer saber. 
Passamos para a Black Widow (Scarlett Johansson). E ainda bem, porque até aqui, o filme mais parecia a festa da mangueira. 
Vem depois a introdução dos heróis propriamente ditos: Hulk, Capitão América e Iron Man. O Thor ficou para mais tarde, quando o Loki já tinha sido apanhado. Ou seja, não tivesse aparecido o Thor para estragar tudo e o filme tinha acabado logo ali. 
Como já tinha dito, um dos problemas do filme é que é tudo à grande e uma das provas disso é aquele veículo tipo porta-aviões mas que voa. Deve ter um nome mas não o reti. Em comparação, esse porta-aviões é uma espécie de USS Enterprise e o Nick Fury é o Cap. Kirk (referência a Star Trek).
Claro que um dos pontos positivos do filme é o Loki (Tom Hiddleston). Apesar daquele ar meio franzino, a presença dele intimida. Kneel before me diz ele a uma série de alemães. E é impressão minha, ou isto foi uma espécie de "roubo" à DC Comics quando Zod diz o mesmo à população da Terra? 
Como tinha dito, aparece o Thor para estragar tudo. E há ali uma luta entre ele e o Iron Man que mais se assemelha a uma birra de crianças. Parecem uns putos a brigar no recreio da escola. 
Depois há ali uma parte que é só conversa que não interessa ao menino Jesus lá no porta-aviões. E ainda por cima é longa essa parte. O Iron Man continua nas suas birras, desta vez com o Capitão América
Depois começa a acção a sério. E é quando o Hulk acorda e faz mossa. O Loki escapa e mata então o agent Coulson. Ficam todos muito tristes, apesar de terem morrido mais umas dezenas de agentes. O Hawkeye fica bom outra vez e começa a batalha com os flying monkeys e todos os monstros que saem do portal, aquele habitual raio azul no céu. (Há uma quantidade insana de raios que vêm do céu nestes filmes).
Essa batalha final é demasiado over the top. Para aqueles que acusaram o filme do Man of Steel de demasiada destruição na cidade, aqui passa-se o mesmo. Milhares de pessoas morrem naquela destruição toda, mas parece que isso não importa nada. 
No final, o Iron Man arma-se em mártir para mostrar que afinal também é humano e não tão egocêntrico. Esta cena resultaria ainda mais, se ele morresse mesmo. Mas pronto, o Hulk salva-o e acorda-o com o grito. Fim de filme e está feito.


O filme é mau por diversas razões. E essas razões podem ser as mesmas pelas quais muitos o adoram. Uma palavra que define o filme é para mim "demasiado". Há demasiadas personagens. Há demasiado a acontecer. Demasiado CGI. Demasiado barulho. Demasiado grande. Demasiado tudo. E depois o Robert Downey Jr que sofre do "síndrome Johnny Depp" e a culpa não é dele. O Johnny Depp quando apareceu nos Piratas das Caraíbas como Jack Sparrow era o maior. Depois de alguns filmes aquilo começou a cansar. E o mesmo se passa com este Tony Stark. Tem piada no início, mas já cansa o personagem dele e o protagonismo que tem.

Ainda assim tem algumas coisas positivas. Achei engraçados alguns gags no filme, nomeadamente relacionados com o Hulk. "We have a Hulk"/ "I'm always angry". A cena em que o Hulk quase desfaz o Loki vale o filme.  
A Scarlett Johansson é sempre um regalo para a vista, e vê-la lutar vale bem a pena. Gostava que o Hawkeye, apesar de ser uma espécie de Katniss Everdeen, tivesse mais destaque. 

No geral, acho que os filmes funcionam melhor isoladamente. Tentarem à força que todos os filmes tenham ligação acaba por pôr em causa o valor que cada um poderia ter.

TOP MCU até ao momento: 
Captain America: The First Avenger
The Incredible Hulk
Thor
Iron Man
The Avengers
Iron Man 2

(Próximo filme: Iron Man 3 e o início da Phase 2)