terça-feira, 20 de novembro de 2018

THE EXORCIST (1973)


Lembram-se da primeira vez que puseram a vista em cima de O Exorcista? Eu acho que deve ser daqueles que conseguimos identificar onde e quando o vimos pela primeira vez. Desde que existe cinema de terror, que os gajos do marketing das produtoras são sempre originais na forma como o vendem, ou seja, basta dizer uma de duas coisas (ou as duas em simultâneo): ou são baseados em eventos reais ou são sempre the scariest movie ever made. Hoje em dia, todos os filmes de terror são sempre os mais aterradores de sempre. Spoiler alert: não são. Engraçado que ainda há quem vá na cantiga. Há uns tempos, numa ida ao cinema, ouvi a frase dita por uma pita com os seus 15 anos: o The Nun é o filme mais aterrador. Claro que tive vontade de lhe dar umas lambadas nas trombas. Contive-me e engoli o vómito que me ia saindo pela boca.
Acontece que o slogan the scariest movie ever made tem servido de promoção nestas últimas décadas ao filme de que vos falo hoje: The Exorcist. E não é que por uma vez o slogan foi bem aplicado!

Voltando à primeira vez: nesse dia, apenas vi o filme por metade. Não o aluguei, não o comprei. Por anos de 1995/1996, numa madrugada em que acordei do nada, ligo a televisão e apanho filme numa sessão tardia. Lembro-me perfeitamente da cena onde estava: a empregada/ama vai chamar o padre porque lhe quer mostrar uma coisa, e não é o seu pipi. Mostra-lhe a miúda com as marcas na pele que dizem help me. Bastou esta cena para ficar agarrado ao filme até ao fim, agarradinho à almofada. Isto para um puto de 13 anos era demasiado pesado. E eu já tinha visto os Rambos todos, Halloweens, Elm Streets e afins. Mas aquilo perturbou-me como nunca tinha sido perturbado com um filme.


O filme começa com uma cena no Iraque onde conhecemos o padre velho (Max Von Sydow). Anda armado em arqueólogo, e encontra um artefacto que simboliza uma espécie de demónio. De realçar as expressões do padre que espelha um medo constante. Para que serviu toda esta cena? Não sei bem, mas aquele ambiente envolto do Mal estabelece logo o tom do filme.
Passamos então para a a cidade de Washington para conhecermos mãe (Ellen Burstyn), filha (Linda Blair) e a casa que vai apoquentar a família. A mãe é uma actriz famosa e na cena em que ela está a filmar conhecemos o Padre Karras (Jason Miller). Hoje, com olhos de adulto, vejo que este é um filme mais sobre o seu personagem e o seu caminho/crescimento.

«You're gonna die up there!»

Entretanto, a miúda começa a ter comportamentos estranhos. A cena em que a Reagan se mija em frente à mãe e convidados durante uma festa lá em casa ainda me atormenta. E aqui começa o descer aos infernos: testes médicos atrás de testes médicos. Até a solução passar por um exorcismo e pronto... a partir daqui é aquilo que se sabe. Cenas que chocam: masturbação com a cruz deve ter chocados todas as mentes dos anos 70. Ainda hoje deve chocar...
Depois o filme está todo muito bem filmado e construído. Se o filme fosse feito hoje era quase todo ele só com a possessão e exorcismo. Basicamente como são as toneladas de filmes que se fizeram depois deste. E onde 99% são merda. Aqui tudo é construído com um propósito e de forma extremamente realista. Está de tal forma feito, que acabamos o filme a pensar que a história se poderia passar na casa ao lado da nossa. Esse build-up torna tudo muito mais intenso, provocador, e outra vez, realista.


Em última análise acaba por ser um filme sobre a culpa e absolvição, daí achar que o Padre Karras acaba por ser o personagem principal. E a cena depois do seu sacrifício (onde se atira da janela já possuído pelo demónio Pazuzu), onde o seu amigo e padre o absolve de todos os pecados (a história toda com a mãe dele) é um fechar perfeito para o filme.

Para concluir, sim, é o meu filme de terror favorito. Talvez não tenha sido o que vi mais vezes, pela simples razão que é o que mais deixa perturbado. E não tem nada a ver com religião. Deve ser visto como o único filme sério sobre possessões. Estes novos, são só wannabes... que não aprenderam nada de como fazer um filme deste género.
O trabalho de casa de quem ler este comentário é dar-me exemplos que me contrariem. Dêem-me filmes bons e sérios sobre esta temática. E escusam de pegar no universo Conjuring e afins.


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

POLTERGEIST (1982)


«They're here!»

1982 foi talvez o melhor ano de sempre.... Sim, foi nesse ano que nasceu a figura que aqui vos escreve. E se isso não fosse razão suficiente, eis que no cinema também surgiram clássicos da nossa vida, senão vejamos: 1982 foi o ano que nos deu o primeiro Rambo (nasceram muitos pêlos aos miúdos ao ver este filme), ET fez chorar toda a gente, Blade Runner fracassou nas bilheteiras mas é hoje um dos maiores clássicos da ficção-científica, John Carpenter aterrorizava com The Thing, Rocky andava à chapada com Hulk Hogan e Mr. T, Dustin Hoffman andava a disfarçar-se de mulher em Tootsie, Jason Voorhees arranjava a máscara que hoje conhecemos em Friday the 13th Part 3, viajamos quase até ao sol em Aeroplano 2, etc etc... Ah, e trouxe o filme que nos traz hoje. Poltergeist era "realizado" por Spielberg. O mestre não podia assinar contratualmente nenhum filme à custa de ET, por isso meteu lá o Tobe Hooper... Mas o filme respira Spielberg por todos os poros.

E será que o filme merece o estatuto de clássico?

Confesso que já vi este filme tarde na minha vida. Deveria ter uns 12/13 anos. Mas vi-o nas melhores condições possíveis: sozinho, de madrugada, e com mau tempo lá fora. E devo dizer que não cheguei a borrar as cuecas, mas andei lá perto. Principalmente com uma cena que me marcou: a filha da puta da árvore que ataca o miúdo enquanto há ali trovoada. É que o build-up dessa cena é do caraças. Começa com o puto com medo da trovoada, e onde o pai lhe ensina como ver se a tempestade se aproxima ou afasta. Depois a presença da árvore ao lado da casa que mete medo ao puto. Não gosta das formas que ela tem. A acrescentar a isto tudo, o puto tem medo de um palhaço que é dele. (Bem, o puto também é um medricas do caralho que tem medo de tudo).


O filme em si, segue a linha dos filmes de casas assombradas. Fenómenos estranhos começam a acontecer numa casa. Depois as coisas agravam-se. Normalmente existem crianças que são mais afectadas: aqui é uma miúda loira que é raptada para dentro da televisão. Entretanto aparecem uns caça-fantasmas/espíritos/exorcistas. Resolvem a situação, ninguém morre e fim da história. Sim, a receita é sempre a mesma, mas aqui é diferente. Nem que seja porque foi feito com o bom gosto e savoir faire de Spielberg. E mais, este é o paizinho de todos os Conjurings, Insidious ou Actividades Paranormais que existem hoje em dia.

De realçar ainda a banda-sonora do filme do Jerry Goldsmith. O tema principal é tão melódico e parece que estamos num filme familiar mas com um tom que apoquenta, pelo menos a mim. (Também acontece porque devo associar esta música ao filme, pelo que sei o que se passa).
E engraçado pensar que isto se passava num tempo em que a televisão encerrava a emissão ao som do hino americano. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

HALLOWEEN (franchise)

Slasher Movie: "a film in which people, especially young women, are killed very violently with knives." (in Cambridge Dictionary)

À data que escrevo é dia 31 de Outubro, dia das Bruxas, ou como nós, tugas, gostamos de chamar: Halloween. Porque gostamos de ir buscar as tradições todas aos Estados Unidos. E eu, como sou um vendido, gosto de ver cinema de terror. E como andei em maratona para ver o novo filme da saga de Halloween (aparentemente, e apesar de constarem 11 filmes no franchise, apenas 2 fazem parte do canon - reconhecidos oficialmente), vamos lá a mais um top aqui do revoltado. Há muito que não fazia nenhum. Do melhor ao pior (e sem incluir o filme deste ano):

HALLOWEEN (1978), O Regresso do Mal, de John Carpenter


O original... Dificilmente sairá algum melhor que este. Aquele que tem menos mortes, mas de longe o mais assustador. Porquê? Porque Michael Myers passa 80% do tempo do filme como um mirone. Mas aquele ambiente criado (ajudado pela música e realização) é de constante sufoco.

HALLOWEEN H20: 20 YEARS LATER (1998), Hallowen H20: O Regresso, de Steve Miner


Regressa Jamie Lee Curtis ao sétimo filme, e com óptimas cenas de puro suspense.

HALLOWEEN (2007), de Rob Zombie


Odiado por muitos, amado por muito poucos. Eu curti à brava. Se era para fazer um remake, pois que seja com algo completamente diferente, com um tom diferente. Foi-se a subtileza do original, veio a violência extrema, mais gore. Ao elenco, regressa a actriz principal do 4 e 5, agora mais crescida e numa personagem diferente.

HALLOWEEN II (1981), Halloween II, O Grande Massacre, de Rick Rosenthal


Continuação directa do primeiro, pois passa-se basicamente na mesma noite. Segue o mesmo modelo e volta a assustar bastante.

HALLOWEEN 5 (1989), Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers, de Dominique Othenin-Girard


A história no geral é má: em vez de tornar a pequena Jamie numa vilã, como fazia sugerir o final do filme anterior, fazem-na ter problemas de sono. Nhec... Mas os últimos 20 minutos são muito bons: estou a falar do confronto final na casa entre a Jamie e o Michael Myers, tia e sobrinha.

HALLOWEEN 4: THE RETURN OF MICHAEL MYERS (1988), Halloween 4 - O Regresso do Assassino, de Dwight H. Little


Uma história banal, uma máscara péssima, mas um twist final bestial: faziam crer que a pequena Jamie seria uma sucessora do Michael Myers.

HALLOWEEN II (2009), de Rob Zombie


Uma trapalhada, mas ainda mais violento que o primeiro do Zombie. E que cena é essa de pôr o Michael a grunhir ou rosnar cada vez que dá uma pancada.

HALLOWEEN: RESURRECTION (2002), Halloween - A Ressurreição, de Rick Rosenthal


What the fuck?? Até podia ser bom, ou pelo menos diferente. O que saiu? Busta Rhymes em modo kung-fu... Sim, isso aconteceu.

HALLOWEEN: THE CURSE OF MICHAEL MYERS (1995), A Maldição de Michael Myers, de Joe Chappelle


Só não é o pior, porque o último não me entrou no goto. Nem sei bem o que se passa neste. Só sei que tem lá pelo meio o Paul Rudd.

10º HALLOWEEN III: SEASON OF THE WITCH (1982), Regresso Alucinante, de Tommy Lee Wallace


Não tem Michael Myers, por isso nem conta. Eu sei que é adorado por muitos, mas a mim não encaixou.

Em que lugar se encaixará o novo filme?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

HALLOWEEN: RESURRECTION (2002)


Breves considerações acerca da última sequela, antes dos remakes do Zombie.

Passei aqui para dizer pouca coisa. Mas tenho para mim que esta foi uma oportunidade perdida de fazer uma sequela em condições. Sim, porque confesso que acho que a ideia principal do filme até é boa: juntar um grupo de pessoas, numa espécie de reality tv, para passar a noite na casa de infância de Michael Myers. Isto poderia ter sido porreiro, divertido. O que falhou?? A execução. Porque por alguma razão não houve um único susto, um jump-scare, medo puro. Nada. Aquela introdução com a Laurie Strode era desnecessária. Serviu apenas para matar a personagem da Jamie Lee Curtis. A música no filme não ajudou. Não era nada subtil. Por mim, ou optavam pelo silêncio, ou então por algo do género do original. 
Epa, o filme anterior (o Halloween H20) era, para mim, a melhor sequela, e depois vem isto. O Myers não merecia. 
Mas não poderia acabar este mini-comentário sem referir o Busta Rhymes. WTF! Que golpes são aqueles à la Bruce Lee? E o personagem em si ainda ajuda a quebrar o medo que poderia aparecer em qualquer altura.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ALIENS VS. PREDATOR: REQUIEM (2007)


Quase a terminar a maratona Predador, este quase apetece passar à frente... Mas eu tenho coragem, e revi o filme para poder falar mal desta bosta. Não vou é perder muito tempo nisto.
Ora, o filme começa onde o primeiro (AvP) acaba: dentro de uma nave dos Predadores, com um bicho dos Aliens a sair de dentro de um deles. Depois, e como o espaço é coisa para ser pequena, onde se despenha a nave???? Pois é... em pleno planeta Terra, nos Estados Unidos. Existem lá uns personagens: cada um mais oco que o outro. Neste nem dá para perceber quem é o protagonista. Aliás, são tão fracos, que só temos vontade de torcer pelo Alien ou pelo Predador
No geral, o filme tem uma coisa positiva: é tão escuro, mas mesmo escuro, que nem nos apercebemos bem do que se está a passar. E convenhamos, isso não é propriamente mau.
Tenho de confessar que a dada altura, e quando pensava que o filme estava mesmo a acabar, olhos para o relógio e vejo que apenas se passaram 58 minutos. Ainda tinha de gramar mais meia hora. 

Bem, é mau? Claro que sim. Diverte? NÃO. É só uma valente bosta. Faz parecer o primeiro AvP digno de todos os Óscares.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ALIEN VS. PREDATOR (2004)


Em Predador 2, o herói, Danny Glover, acabava o filme numa nave espacial dos Predadores. Numa das salas da nave, estavam expostos troféus de caça, que se bem se recordam, tratam-se de caveiras. Os nerds, na altura, foram à loucura, tiveram orgasmos como se tivessem passado a noite com a Sara Sampaio, por uma razão muito simples. Um desses troféus era "apenas" uma caveira de um Alien (da saga Alien), como se ambos os personagens fizessem parte do mesmo universo. Foi preciso esperar década e meia para que magia acontecesse: juntar os dois no mesmo filme. Melhor, fazer com que eles se enfrentassem. Isso aconteceu, logo pela mão de do mago do cinema Paul WS Anderson (não confundir com o também realizador Paul Thomas Anderson), responsável pelos clássicos Event Horizon ou Mortal Kombat.

Mas será que valeu a pena esperar? Confesso que não tenho uma resposta para isso... 

O filme começa com uma breve introdução dos personagens, ou seja, um catálogo de carne para canhão. E aqui percebemos quem vai ser a espécie de herói (neste caso, heroína). A premissa assemelha-se um pouco a Jurassic Park: um ricalhaço convence uma série de pessoas, cada uma com uma especialidade diferente, a partir numa expedição. Vão parar a uma pirâmide debaixo do gelo, creio que na Antártica. Entretanto, uma rainha (do team-Alien) mete uns ovos, os predadores (team-Predator) chegam, e começa a matança, ou caça. Aquilo que deveria ser um "jogo" entre aliens e predadores, calhou ter uns humanos lá no meio. Mas não são uns humanos quaisquer. Há lá um italiano que é perito em linguagem criptográfica. E traduz aquilo tudo em minutos. Fica logo a saber a história toda dos aliens e predadores. Coisa que um estudioso normal demoraria meses ou anos a decifrar/ traduzir.
Bem, depois de os humanos terem sido todos chacinados, ou pelos aliens ou pelos predadores, a gaja final (a heroína) alia-se a um Predador contra os Aliens. Afinal, parece que o Predador faz parte dos bons da fita. Confesso que até curti essa parte. 


Mas o que acho do filme? Apesar de não ser propriamente assustador, eu admito que me divirto cada vez que vejo o filme. Não é propriamente a maior vergonha para cada um dos franchise incluídos neste filme. Prometeram-nos um confronto entre Alien e Predator, e é isso que temos. Os "bonecos" estão bestiais. Claro que nos estamos a cagar para os personagens humanos. Aliás, se ficamos chateados com alguma morte, isso acontece apenas com a morte do Predador no final. Os humanos só lá estão para ir à vida (ou morte, neste caso). É pena... No primeiro Predador, nós gostávamos de todos os personagens. Eram todos carismáticos. Aqui isso não acontece. Mas sejamos sinceros: nós só vimos este filme para ver uma luta entre Predador e Alien... E deram-nos isso, e até foi porreiro. Tudo o resto é descartável. Vá lá... Não sejam preconceituosos. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

PREDATOR 2 (1990)


Depois de um filme praticamente perfeito, seria missão quase impossível manter a qualidade. E o certo é que ninguém o esperava. Mesmo quem estava a fazer o filme achava que isso era possível. John McTiernan, o realizador, foi à vida. O mesmo se passou com Schwarzenegger. Ora, não estando as duas figuras ligadas à sequela, a realidade é que a opção vai noutro sentido. Decidiram mudar completamente e fazer algo diferente. Não há mercenários no meio da selva e passou a ser uma espécie de filme policial no meio de Los Angeles

Bem, começo já por dizer que a qualidade está longe de se aproximar do primeiro. 
O filme começa com a música (sons) da selva que pairava no anterior. Mas quando parece que estamos no mesmo meio, eis que chegamos a outro tipo de selva, a cidade de Los Angeles. E damos por nós no meio de uma luta de gangues com polícia à mistura. E entramos logo no tom/género. E eis que nos aparece o herói do filme, o nosso amigo Murtaugh, ou melhor, o Danny Glover. (Pode vir a fazer 1500 papeis de sonho, ganhar 30 Oscares, que para mim será sempre o Murtaugh de Lethal Weapon.) E o que faz ele aqui? Outra vez polícia, mas aqui é o oposto do outro: é um bad-ass que age segundo as suas próprias regras. Ou seja, aquele cliché dos filmes policiais dos anos 90. 

Entretanto há ali o Predador que vai dizimando os gangues e é isso o filme. O que joga pela positiva para o filme: assumir a diferença para o 1º, e incluir no elenco, em papéis secundários, os actores Gary Busey e Bill Paxton. Sabe-se que incluir um deles é sempre positivo, quanto mais os dois. 

Seria um filme banal dos anos 90, não fosse o Predador andar ali metido ao barulho.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

PREDATOR (1987)


Falta um mês... sim... falta um mês para estrear novo filme de Predador. Sequela?? Reboot?? Não sei... mas estarei lá no dia de estreia. Até lá, revisito os 4 filmes que envolvem este extra-terrestre.
Começo pelo primeiro. 

O texto seguinte foi publicado originalmente a 5 de Novembro de 2015.

«If it bleeds, we can kill it

Alturas houve em que ter Schwarzenegger no cartaz era sinal de sucesso garantido. Alturas em que íamos ao cinema só para ver o actor. A prova disso é que filmes como Twins (Gémeos) ou Kindergarten Cop (Um Polícia no Jardim Escola) foram enormes sucessos de bilheteira. 
Apesar de Terminator preceder este Predator, foi este filme que foi a prova de que era uma mega-estrela de Hollywood
E que filmaço temos aqui. Senão vejamos: é um dos melhores filmes de ficção-científica, um dos melhores filmes de acção, um dos melhores filmes de terror/suspense. Isto tudo num só filme. Tanto faz em que género o queiram colocar, que temos um clássico destes géneros. 
Preconceitos à parte, é um filme macho. Tem lá uma gaja no meio, mas está lá só para não ser uma festa da mangueira a 100%.
Mas o que faz deste filme um clássico intemporal, que 30 anos depois de sair, continuemos a ver e a falar dele? Epa, muito. Há ali pouca coisa a falhar. Mesmo numa altura em que eu não era fã do velho tio Schwarzzie, este era o meu preferido.  Ora, numa destas manhãs em que só trabalhava à tarde, apanhei o filme no melhor canal de cinema da televisão portuguesa (o Canal Hollywood, para quem tem dúvidas). E talvez seja a melhor altura do dia para ver o filme. Há lá melhor acordar que ver um monstro a arrancar a espinha a militares? Ou para ver todas as one-liners do filme? 


«You're one ugly motherfucker!»

E o que é que eu gosto neste filme? Bem, quase tudo.

- Antes de mais a banda-sonora. Aqueles instrumentais no meio da selva.... ainda hoje dão arrepios. O tipo que compôs aqueles sons animados no Back to the Future, faz aqui algo completamente oposto. Mais subtil. Um espectáculo. 

- Quase todas as cenas são dignas de registo. Destaco apenas uma ou outra:
> a cena do helicóptero ao som do rock 'n roll;
> a primeira imagem de Schwarzenegger a fumar o seu charuto;
> a metralhadora do Blain (Jesse Ventura) capaz de trucidar árvores;
> a morte do Dillon (Carl Weathers) com o braço, que depois de arrancado, continua a segurar e disparar a arma que tinha na mão;
etc etc etc...

«I ain't got time to bleed!»


Depois há detalhes que ainda melhoram mais o filme:
> só vemos  realmente o monstro lá para meio do filme, numa cena em que se opera a si próprio. Até aí apenas tínhamos tido vislumbres da sua visão;
> o personagem Billy (Sonny Landham) é dos melhores do filme. Com uma morte digna de quase auto-sacrifício. De notar que apenas temos o som dele a gritar e não a cena em si.
> aquelas armadilhas todas que o Schwarzzie constrói são dignas de Rambo
> todos os personagens/ actores são carismáticos e chegamos a preocuparmo-nos com eles (até o tipo das anedotas secas).

Resumindo: o melhor filme do Schwarzzie. Vamos entretanto esquecer as sequelas/reboots/spinoffs/crossovers



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

TERMINATOR GENISYS (2015)


I'M NOT OLD. I'M OBSOLET!

Finalmente... Eis que cheguei ao último (até à data) Terminator. E pelo que li e ouvi por essa internet fora, este era uma grande bosta, quase insultuoso em relação ao legado. E o que tenho eu a dizer sobre o filme: não é a maior merda que já vi. Aliás, consegui ver todo de uma vez sem me vir o sono. É que, surpreendentemente ou não, foi conseguindo manter-me entretido.

O filme começa onde o primeiro começa: a história de como e porquê o Kyle Reese viaja até 1984. E é nesse prólogo que conhecemos o novo John Connor (sempre ele). Aqui é interpretado por um tipo com cara de quem não se pode confiar, e completamente desajustado aos outros actores que fizeram o papel. 

Depois o que realmente interessa: estamos em 1984, e o realizador quis recriar cena a cena o primeiro filme. Pareceu só estranho. Aquela cena do Schwarzenegger com os punks soube a falso. Aqui dá-se um confronto entre um Schwarzzie novo e um velho. Repetem mais uns clichés da saga. como o polegar para cima. E depois, quantas vezes é preciso alguém dizer, ao longo dos filmes, "Come with me if you want to live".


E é então que conhecemos a nova Sarah Connor. Confesso que curto esta nova encarnação. Tem um ar doce mas capaz de me dar uma carga de porrada. Entretanto também tem lá um T-1000, mas em vez de ir buscar o Robert Patrick, foram buscar outro actor. Está mal...

O filme é, no geral, uma grande salganhada, confuso. Aquela treta das duas linhas temporais foi muito mais bem explicada (e de forma mais simples) no Back To The Future 2
Depois, a Sarah e o Kyle saltam de 1984 para 2017, e têm lá o Schwarzzie à espera deles. Ah, e o John Connor, que a certa altura diz: "Trust no one". E vocês sabem o que isso quer dizer. Vem nos livros. Quando alguém avisa outra pessoa para não confiar em ninguém, é porque essa pessoa é má. E assim dá-se o "twist" (revelado em todos os trailers): o John Connor virou para o Lado Negro da Força. Enfim....

Em jeito de conclusão, posso dizer que me ri por diversas vezes nas piadas que iam soltando. E isso acaba por ser o melhor do filme. Isso e claro o velhinho Schwarzenegger. Foi sempre um must vê-lo no ecrã. A acção, propriamente dita, não foi nada de especial. Não há nenhum momento que fique na memória. Ah, e que desperdício do J.K. Simmons. Tinha um personagem porreiro e que dava pano para mangas, mas acabou por estar quase inexistente.

E está feita a maratona Terminator. Deu para valorizar um pouco mais os filmes que odiava. Os primeiros dois não mexeram comigo. Mas isso é culpa minha. Percebo o porquê de tanto amor pelos filmes. Mas a mim não... É aquela coisa da arte ser subjectiva e tocar nas pessoas de forma diferente.


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

TERMINATOR SALVATION (2009)


Se já ninguém tinha pedido por Terminator 3, ainda menos pessoas queriam um quarto filme. Mas pronto, veio, e meia dúzia de pessoas pagaram para ver (eu incluído, mas porque comprei um dvd em segunda mão do filme). Despachemos já duas coisas: a música do filme é da responsabilidade do Danny Elfman. Só que é tão genérica que poderia ser de um estagiário que estaria a aprender umas notas. Depois, de realçar o elenco, que no papel é bem porreiro.

SPOILERS (ou não, depende de como vai correndo a escrita)

Vamos ao filme propriamente dito: acho que a partir de certa altura, o melhor é ir com as expectativas em baixo. Esperar a maior merda do mundo. Tudo o que for positivo no filme até vai saber melhor.
O filme começa com a introdução de um novo personagem na saga: o Marcus (Sam Worthington) no tempo presente. É um condenado à morte. De repente vamos para o futuro, depois do Dia do Julgamento, na continuação da guerra dos homens contra as máquinas. E aqui voltamos a cruzar com John Connor. Devo dizer: sou fã do Christian Bale. Acho que é um actor do caraças, mas o que raio é que ele está a fazer aqui? No auge da sua carreira, e aceita fazer o quarto filme de uma saga praticamente morta???? Deve ter perdido alguma aposta, pois nota-se que ele está a cagar-se para o papel. 
Verdade seja dita, neste filme pelo menos arriscou-se em fazer algo diferente dos anteriores. Ninguém é mandado ao passado para matar um personagem. Estamos directamente na guerra. 


O filme começa de forma algo enfadonha e sem grande coisa para contar. Só que a certa altura dá-se um twist e a coisa torna-se mais interessante. E devo dizer que foi um twist que nem estava à espera. Quem viu sabe do que falo, e envolve o Marcus. Sobre o Sam Worthington, que eu não aprecio muito enquanto actor, está mil vezes melhor aqui do que no outro filme de ficção científica que protagoniza (o Avatar). 

Sobre a aparição do tio Arnold Schwarzenegger, ou uma espécie de duplo, enquanto T-800, confesso que não estava à espera. Mas assim que começa a música clássica e se dá essa aparição, dá vontade de gritar alto um valente "YESSSS". Só que dois minutos depois ele "morre", ou é destruído. Assim não vale.... Soube a pouco. 

Em jeito de conclusão, devo dizer que o filme tem o mérito de ir conseguindo manter-se minimamente interessante. Não foi aqui que fiquei agarrado à saga, mas também não é a pior coisa do mundo.