terça-feira, 28 de julho de 2026

THE MANDALORIAN AND GROGU (2026)


"The Mandalorian and Grogu" provavelmente não é um filme de que o universo Star Wars estivesse desesperadamente a precisar. A série já existia, era divertida, as pessoas gostavam dela e, sinceramente, ver Din Djarin a ficar silenciosamente a olhar para o horizonte durante 40 minutos de cada episódio funcionava na perfeição na Disney+. Mas, por outro lado… já viram a quantidade de brinquedos do Baby Yoda que existe? Claro que este filme ia acontecer. Algures numa sala de reuniões da Disney, é bem provável que um único peluche do Grogu pague a conta da eletricidade sozinho.

Ainda assim, o filme cumpre na perfeição aquilo a que se propõe: uma aventura espacial simples e direta protagonizada por duas personagens de quem o público gosta genuinamente. Nunca tenta convencer-nos de que é o auge filosófico da ficção científica moderna, e isso acaba por ser bastante refrescante. George Lucas sempre defendeu que Star Wars foi criado, acima de tudo, para crianças, e esse espírito sente-se aqui — da melhor forma possível. Há fantasia, criaturas disparatadas, batalhas com lasers, laços emocionais e o Grogu a fazer alguma parvoíce fofa de dez em dez minutos. Se procuram reflexões profundas sobre fascismo, vigilância e o colapso da democracia, Andor já trata disso (de forma excelente). Este filme quer apenas entreter-vos durante duas horas, e faz exatamente isso.

Ironicamente, os melhores momentos do filme não são as enormes cenas de ação — embora elas existam em abundância, com naves a explodir e disparos de blasters suficientes para levar uma fábrica intergaláctica de munições à falência. O verdadeiro coração emocional da história surge quando o Mandalorian fica inconsciente após uma batalha e o Grogu tem de cuidar dele durante vários dias. Ver este pequeno duende verde do caos a tentar sobreviver, proteger o Din e, pelo meio, roubar uns petiscos enquanto se comporta como uma criança pequena cheia de preocupações é estranhamente comovente. 

A banda sonora também merece um destaque especial. Em vez de simplesmente imitar o estilo orquestral clássico de John Williams, aposta numa atmosfera retro de ficção científica, com fortes influências dos sintetizadores dos anos 80. Por vezes, parece um western espacial realizado por alguém que tem todas as cassetes VHS de Blade Runner e O Bom, o Mau e o Vilão. E, sinceramente, essa combinação resulta na perfeição.

Porque é isso que este filme é, no fundo: um western passado no espaço. Um pistoleiro solitário a vaguear por mundos hostis com o seu companheiro de aventuras estupidamente querido. E eu não tenho problema nenhum com isso. Aliás, quem inventou o fenómeno "Baby Yoda" merece reformar-se numa lua privada algures, porque o Grogu continua a atingir níveis de fofura que deviam ser considerados uma arma. 

Não, "The Mandalorian and Grogu" não reinventa Star Wars. Nem precisa de o fazer. É divertido, encantador, visualmente empolgante, ocasionalmente emotivo e está perfeitamente consciente de que, por vezes, tudo o que as pessoas querem é um cowboy de armadura beskar a viajar pelo espaço com um pequeno filho verde que passa o tempo a cometer pequenos delitos.

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