Mas, por alguma razão, Drive entrou-me no goto.
A história é, na verdade, bastante simples, mas transborda emoção. A personagem do Ryan Gosling — o The Driver (honestamente, nem me lembro se alguma vez dizem o nome dele) — tem uma postura quase robótica e distante que, à partida, não deveria resultar. No entanto, encaixa na perfeição na atmosfera do filme. À medida que vai "convivendo" com a vizinha e o filho dela, percebemos que existe um enorme coração escondido por detrás daquele olhar perdido no vazio. A relação entre eles tocou-me genuinamente, e não estava nada à espera disso num filme em que o protagonista passa cerca de 80% do tempo com cara de quem está quase a fazer cocó.
Depois há a violência. Quando acontece... bem, acontece mesmo. É gráfica, brutal e explícita. Ainda assim, nunca parece violência gratuita. Cada explosão de violência surge exatamente quando deve surgir, chocando-nos sem cair na tentação do gore pelo gore.
E falar de Drive sem mencionar a fotografia e a banda sonora devia ser ilegal. Complementam-se de forma tão perfeita que quase se tornam mais uma personagem do filme. As ruas iluminadas por néons, a fotografia onírica das cenas noturnas e aquelas faixas eletrónicas lindas carregadas de sintetizadores, que parecem ter escapado diretamente dos anos 80... tudo isto é puro conforto cinematográfico. O ambiente retro é mesmo irresistível.
É um daqueles raros filmes que prova que o estilo não tem de existir à custa da substância. Drive tem ambos e, de alguma forma, consegue transformar um homem calado a conduzir pelas ruas de Los Angeles numa das experiências emocionais mais envolventes que já tive dentro de um thriller criminal.

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