quinta-feira, 16 de julho de 2026

EVIL DEAD TRILOGIA (2013 - 2026)

 


EVIL DEAD (2013)

Ainda me lembro da primeira vez que vi Evil Dead (2013). Foi num cinema em Paris e, logo nos primeiros minutos, percebi que este filme tinha uma coragem do caraças. Não era um remake tímido a tentar lucrar com a nostalgia — tinha tomates.

Em vez de tentar imitar o charme disparatado de Evil Dead 2, pegou numa história familiar e levou-a numa direção completamente diferente. A loucura slapstick desapareceu, dando lugar a um terror implacável, gore sem qualquer pudor e uma atitude que parecia dizer: «Até onde é que conseguimos levar isto?» A resposta: sim.

E levaram mesmo. Este filme não tem a mínima vergonha quando se trata de horror extremo. A infame cena em que a floresta… bem… abusa da protagonista? Lembro-me de estar sentado a pensar: «Espera… eles vão mesmo fazer isto?!» Fiquei de boca aberta. Foi chocante, desconfortável e impossível de esquecer.

Essa é, provavelmente, a melhor palavra para descrever toda a experiência: completamente tresloucada. Não no sentido de ser parva, mas porque os realizadores abraçaram a loucura a 100% e nunca recuaram. Cada morte brutal, cada litro de sangue, cada sequência arrepiante parece desafiar-nos a desviar o olhar.

Goste-se ou não, Evil Dead (2013) merece reconhecimento por se recusar a jogar pelo seguro. Não se limita a refazer um clássico — desfá-lo em pedaços, encharca-o em sangue e mostra-nos orgulhosamente o resultado com o maior e mais demoníaco sorriso imaginável.




EVIL DEAD RISE (2023)

Evil Dead Rise prova finalmente que os Deadites não precisam de uma cabana assustadora no meio da floresta para estragar o dia a alguém — ficam perfeitamente satisfeitos num prédio degradado. Claro que, por razões conhecidas apenas pelos realizadores, ainda arranjaram maneira de encaixar duas cenas (a abertura e o final) que pouco ou nada têm a ver com a história principal, só para poderem dizer: «Olhem! Ainda há uma cabana na floresta!»

O enredo é tão simples quanto qualquer filme de Evil Dead deve ser: alguém lê o Livro dos Mortos, os demónios são libertados, as pessoas ficam possuídas e pronto, ninguém se diverte. Honestamente, é tudo o que eu preciso. Bem… isso e tanques cheios de sangue. E quando digo sangue, falo de quantidades absurdas. A certa altura, deixamos de perguntar de onde vem tudo aquilo e limitamo-nos a admirar o compromisso.

Não tem propriamente o mesmo fator de choque do género «Não acredito que eles fizeram mesmo isto» que o filme de 2013, mas, assim que a mãe fica possuída, Alyssa Sutherland rouba completamente o protagonismo. A sua interpretação é perturbadora, completamente desequilibrada e estranhamente divertida — quase nos esquecemos de que está a tentar assassinar os próprios filhos.

O filme é muito bem realizado, os efeitos práticos são fantásticos e, embora o sangue digital por vezes exagere um pouco, nunca estraga a diversão. Evil Dead Rise não reinventa o género de terror, mas sabe exatamente o que é: uma gloriosa montanha-russa caótica, encharcada em sangue, muito mais interessada em entreter do que em fingir ser profunda. E, por vezes, é exatamente isso que um filme de Evil Dead deve ser.




EVIL DEAD BURN (2026)

Acho que já podemos dizer, sem grandes dúvidas, que esta nova trilogia ganhou oficialmente identidade própria. Deliberadamente, coloco os clássicos de Bruce Campbell e Sam Raimi numa categoria completamente à parte porque, sinceramente, parecem pertencer a um universo diferente em termos de tom.

Então, onde encaixa Evil Dead Burn? Para mim, fica em último lugar no ranking desta trilogia moderna — mas isso é muito mais um elogio do que uma crítica. A fasquia já estava altíssima. Se alguém me tivesse dito de antemão que o «pior» filme da trilogia ainda me deixaria mental e fisicamente exausto quando chegassem os créditos finais, teria assinado logo por baixo.

O filme oferece exatamente aquilo que espero de um Evil Dead: baldes de sangue, gore prático exagerado, brutalidade constante e demónios que claramente faltaram a todas as sessões de controlo da raiva. Dito isto, apesar de existirem vários Deadites memoráveis, não acho que nenhum consiga roubar as atenções da mesma forma que a mãe em Evil Dead Rise. Ela continua a ser o verdadeiro padrão de referência quando falamos de combustível para pesadelos nesta trilogia moderna.

Uma coisa que Burn faz melhor do que os seus antecessores é abraçar o humor. Não ao ponto de se transformar numa comédia, mas o suficiente para tornar toda a carnificina ainda mais divertida. Há uma personagem (a avó) que funciona praticamente como comic-relief, e fiquei surpreendido com a naturalidade com que se integra na história.

E aquele último ato… caos absoluto. Do bom. Quando apareceram os créditos finais, senti genuinamente que tinha sobrevivido a qualquer coisa, em vez de simplesmente assistir a um filme.

Visualmente, mantém a atmosfera suja e opressiva que tem definido esta nova fase de Evil Dead, com uma cinematografia elegante que nunca deixa que o caos se torne confuso. Cada sequência parece cuidadosamente construída para maximizar a tensão antes de libertar a mais completa insanidade. O elenco também se entrega de corpo e alma à loucura, exatamente como esta saga exige.

No geral, mesmo ocupando, para já, o terceiro lugar no meu ranking desta trilogia moderna, isso deve-se apenas ao facto de os outros dois filmes terem estabelecido um nível muito elevado. Ainda assim, este merece plenamente o seu lugar porque faz exatamente aquilo que um Evil Dead deve fazer: fazer-me rir, fazer-me estremecer, fazer-me questionar as escolhas de vida de toda a gente e deixar-me completamente esgotado quando tudo termina. Missão cumprida.

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