quarta-feira, 5 de agosto de 2026

OCEAN'S ELEVEN (2001)


Sejamos honestos: Ocean's Eleven (2001) é, sem a mais pequena sombra de dúvida, o filme mais cool alguma vez feito. Não tem apenas estilo — respira coolness em cada plano, em cada linha de diálogo e em cada fato feito à medida.

O Brad Pitt (Rusty) passa grande parte do filme a comer qualquer coisa com a maior das naturalidades, transformando o simples ato de petiscar na derradeira demonstração de carisma. O George Clooney (Danny) lança aquele seu olhar profundo e irresistivelmente elegante e, de repente, damos por nós a pensar que provavelmente também aceitaríamos assaltar o cofre de um casino se ele nos pedisse com jeitinho. A Julia Roberts... bem, é a Julia Roberts. Não há muito mais a dizer. Basta existir, sorrir, e a sala passa imediatamente a ser dela. E o Andy Garcia está sempre tão impecavelmente arranjado que quase nos esquecemos de que tem ar de ser o tipo de homem capaz de mandar eliminar alguém apenas com um olhar. A química entre todo o elenco não é apenas boa; devia ser considerada ilegal.

Aquilo de que mais gosto, no entanto, é do ritmo. A história avança com uma fluidez impressionante, sem nunca abrandar ou se perder em explicações desnecessárias. Na maioria dos filmes de assaltos, somos obrigados a esperar pelo grande golpe, mas aqui a preparação, o recrutamento da equipa e toda a logística quase absurda para montar o plano são tão divertidos quanto o próprio assalto.

Steven Soderbergh realiza tudo isto todo confiançudo. A banda sonora com influências jazz, a montagem eletrizante e os diálogos cheios de humor criam um filme incrivelmente elegante sem nunca cair na armadilha de se levar demasiado a sério. Nunca faz um esforço desesperado para parecer cool — e, ironicamente, é precisamente por isso que é tão cool.

É elegante, muito divertido, inteligente como poucos e simplesmente impossível de não adorar.

SUPERGIRL (2026)


Quando ouvi qual era realmente a premissa de Supergirl, pensei sinceramente: "É isto. É este o meu tipo de filme de super-heróis."

Gostei bastante do Superman do James Gunn e uma das estrelas desse filme foi o Krypto, o cão. Por isso, fazer com que a missão principal da "sequela" fosse "salvar o supercão envenenado indo à procura do antídoto" pareceu-me uma ideia perfeita. Nada de raios gigantes a atravessar o céu. Nada de catástrofes capazes de destruir o universo. Nada de partidas de xadrez multidimensional entre deuses cósmicos. Apenas... salvar o cão.

Sinceramente? Para mim, isso basta.

Cheguei a um ponto em que, muitas vezes, gosto mais dos filmes de super-heróis quando o que está em causa é algo mais simples. Salvar o mundo é muito bonito, mas depois do décimo quinto apocalipse em vinte anos, salvar um único bicho parece, de alguma forma, muito mais importante.

Infelizmente, Supergirl parece não confiar na sua própria premissa.

Em vez de se manter fiel a esta história deliciosamente simples, vai acumulando subtramas, mais planetas, mais CGI, mais personagens, mais coisas a voar através de portais coloridos... até que o filme começa a dar a sensação de que entrou, por engano, em três filmes de super-heróis diferentes ao mesmo tempo.

A ironia é que a sua maior qualidade estava ali desde o início. Uma aventura simples, perseguindo criminosos para salvar um cão. Porque é que isso não chegou?

A Milly Alcock é bastante cativante no papel de Supergirl e tem carisma de sobra, mas nem ela consegue suportar totalmente o peso de um argumento que está constantemente a distrair-se com as suas próprias ideias. Faz o melhor que pode, mas o carisma só consegue resolver até certo ponto.

Nem tudo são más notícias, no entanto. A banda sonora é absolutamente fantástica. Quase me fez esquecer que estava a ver uma missão de salvamento de um cão perdida no meio da burocracia do espaço profundo.

No fim de contas, Supergirl não é um mau filme — é apenas um filme frustrante. Tinha todos os ingredientes para ser uma aventura de ficção científica empolgante e cheia de coração, mas acabou por complicar demasiado aquilo que podia ter sido tão simples. É perfeitamente aceitável, mas, foda-se... podia ter sido muito melhor.