Sejamos honestos: Ocean's Eleven (2001) é, sem a mais pequena sombra de dúvida, o filme mais cool alguma vez feito. Não tem apenas estilo — respira coolness em cada plano, em cada linha de diálogo e em cada fato feito à medida.
O Brad Pitt (Rusty) passa grande parte do filme a comer qualquer coisa com a maior das naturalidades, transformando o simples ato de petiscar na derradeira demonstração de carisma. O George Clooney (Danny) lança aquele seu olhar profundo e irresistivelmente elegante e, de repente, damos por nós a pensar que provavelmente também aceitaríamos assaltar o cofre de um casino se ele nos pedisse com jeitinho. A Julia Roberts... bem, é a Julia Roberts. Não há muito mais a dizer. Basta existir, sorrir, e a sala passa imediatamente a ser dela. E o Andy Garcia está sempre tão impecavelmente arranjado que quase nos esquecemos de que tem ar de ser o tipo de homem capaz de mandar eliminar alguém apenas com um olhar. A química entre todo o elenco não é apenas boa; devia ser considerada ilegal.
Aquilo de que mais gosto, no entanto, é do ritmo. A história avança com uma fluidez impressionante, sem nunca abrandar ou se perder em explicações desnecessárias. Na maioria dos filmes de assaltos, somos obrigados a esperar pelo grande golpe, mas aqui a preparação, o recrutamento da equipa e toda a logística quase absurda para montar o plano são tão divertidos quanto o próprio assalto.
Steven Soderbergh realiza tudo isto todo confiançudo. A banda sonora com influências jazz, a montagem eletrizante e os diálogos cheios de humor criam um filme incrivelmente elegante sem nunca cair na armadilha de se levar demasiado a sério. Nunca faz um esforço desesperado para parecer cool — e, ironicamente, é precisamente por isso que é tão cool.
É elegante, muito divertido, inteligente como poucos e simplesmente impossível de não adorar.

