Havia várias razões para a minha relutância. O filme não me parecia particularmente apelativo, tinha um velho como protagonista e parecia não ter aquilo que, na altura, considerava essencial no cinema: sustos, gajas boas e, de preferência, as duas coisas ao mesmo tempo. Era um puto estúpido. Tinha as minhas prioridades. Terríveis, reconheço.
Avancemos até à idade adulta, e cá estou eu, finalmente, a ver O Exorcista III. Claro que, no fundo, continuo a ser um miúdo estúpido, mas agora com gostos cinematográficos consideravelmente mais evoluídos. Ou, pelo menos, ligeiramente menos embaraçosos.
E que surpresa! Esqueçam aquilo que esperam de um filme de exorcismos tradicional. Este está muito mais próximo de Se7en do que de O Exorcista, com uma atmosfera sombria e inquietante, uma investigação policial e um mistério perturbador em torno de um assassino em série no centro da narrativa. William Peter Blatty, autor do romance original e realizador deste filme, tinha claramente outras coisas em mente para além de pôr padres a gritar com demónios.
George C. Scott está excelente no papel do detective Kinderman, um tipo rabugento e de língua afiada, dando imensa personalidade a uma personagem que facilmente poderia ter sido apenas mais um polícia miserável a vaguear por corredores escuros. Mas quem rouba verdadeiramente todas as cenas é Brad Dourif. A sua interpretação é absolutamente hipnotizante, aterradora e profundamente desconfortável de assistir. O homem merecia um Oscar por isto.
O filme passou, como é sabido, por alterações impostas pelo estúdio, incluindo a filmagem de novas cenas com Jason Miller no papel do padre Karras, depois de os responsáveis exigirem uma ligação mais convencional ao original. E, embora compreenda que o estúdio quisesse uma sequela de O Exorcista facilmente reconhecível, tem a sua piada perceber que a maior força do filme reside precisamente no facto de ser tão diferente daquilo que o público poderia esperar.
Passei anos a evitar este filme porque achava que não era o meu género de terror. Afinal, o problema não era o filme. Era eu. Estava demasiado ocupado à procura de emoções baratas para apreciar uma obra cinematográfica genuinamente inteligente, atmosférica e perturbadora.
No fundo, continuo a ser aquele puto de 13 anos. Simplesmente, já não preciso de um par de mamas e de um susto repentino para me manter entretido. Afinal, parece que o desenvolvimento de uma personagem também é possível fora de Hollywood.
(Escrevi este texto depois de ver a versão cinema do filme. Entretanto verei a versão alternativa)

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